Europa e América Latina atacam fome e aquecimento
Mais de 40 chefes de Estado se reúnem na capital peruana para acertar mecanismos de apoio a desenvolvimento com face social e ambiental
Silvio Queiroz
Pelo menos 47 chefes de Estado e governo haviam confirmado presença, até a última sexta-feira, na quinta reunião de cúpula entre a União Européia e os países da América Latina e Caribe, que se realizará em Lima entre a próxima terça-feira e o sábado. Combate à pobreza e desenvolvimento sustentável, que contemple inclusão social, segurança energética e preservação do meio ambiente, são os temas oficiais da agenda. Na ante-sala do encontro, porém, as duas regiões deixam entrever diferenças significativas de abordagem para preocupações consensuais, e expectativas de maior compromisso da contraparte, especialmente nas relações comerciais e no delicado tema da imigração.
“São temas do maior interesse do Brasil, e nos quais temos muita autoridade para nos dirigirmos à UE, já que somos pioneiros tanto nas iniciativas de combate à fome quanto no desenvolvimento de energias limpas”, disse um diplomata brasileiro envolvido diretamente na preparação da cúpula. O governo Lula tem a expectativa de aprimorar “a coordenação de posições” entre as duas regiões sobre ambos os assuntos, e vai cobrar dos europeus mais ênfase na transferência de tecnologia para ações capazes de contemplar tanto as preocupações sociais quanto as ambientais. Nesse terreno, o país oferecerá propostas de cooperação triangular em benefício dos países mais pobres da região, especialmente o Haiti, atingido em cheio pela alta dos preços dos alimentos. Em troca, espera da Europa que aporte mecanismos financeiros.
Um dos focos potenciais de dificuldades, desde o esboço da declaração conjunta que os chefes de Estado e governo assinarão na sexta-feira, está o endurecimento da legislação sobre imigração em vários países europeus. O texto deverá conter uma referência à “observância dos direitos humanos dos imigrantes”, mesmo os que apresentam situação irregular. “A gente pensa em um tratamento mais digno para os latino-americanos na Europa”, disse essa fonte do Itamaraty. “No Brasil, nenhum estrangeiro irregular é considerado criminoso, e não compreendemos que alguém vá para a prisão por não apresentar documentação suficiente.” Pelo lado europeu, em uma videoconferência com a imprensa latino-americana, durante a semana passada, a comissária européia para Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, enfatizou que a UE quer “compartilhar responsabilidades” com a América Latina no combate à imigração ilegal, ao tráfico de pessoas e outros crimes associados.
Comércio
À margem da cúpula, serão realizadas em Lima reuniões entre a UE e o Mercosul — tanto em nível de chanceleres quanto de presidentes e premiês — para explorar caminhos que permitam avançar para um acordo birregional de livre comércio. Na videoconferência de imprensa, o comissário de Comércio, Peter Mandelson, reafirmou que o bloco europeu atrela esse processo à conclusão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio, travada pela disputa entre países ricos e em desenvolvimento sobre subsídios agrícolas. “O Mercosul está pronto para negociar, e a UE tem sinalizado informalmente a disposição de seguir em frente a despeito do andamento de Doha”, disse o diplomata brasileiro.
Parceria assimétrica
160 bilhões
de euros é o montante anual do comércio entre a UE e os países da América Latina e Caribe, que exportam comodities e importam bens industrializados
5%
é a participação latino-americana nas importações européias, enquanto a Europa representa 14% do mercado externo para a América Latina
400 bilhões
de euros é o estoque de investimentos da UE na região, o que representa 12% do total de investimentos externos diretos do bloco
Diário de Natal Cisne Branco chega para visitações
Na manhã de hoje o navio-veleiro Cisne Branco atraca novamente em Natal. O navio da Marinha do Brasil ficará aberto a visitação pública de amanhã até quarta-feira, entre às 14h e 18h, no Porto de Natal. A tripulação é composta por 11 oficiais e 49 praças, com o atual Comandante sendo o Capitão-de-Mar-e—Guerra Flávio Soares Ferreira.
O Cisne Branco representa o país em grandes eventos náuticos, tanto no Brasil quanto no exterior, e é similar a uma réplica das galeras do século XIX. Além disso, o navio também tem o intuito de fomentar a mentalidade marítima, as tradições navais e contribuir para a formação dos oficiais da Marinha do Brasil.
O navio foi construído em Amsterdã, na Holanda, no ano de 1998 e incorporado à Marinha do Brasil em março de 2000. Sua primeira viagem pela Marinha teve início às margens do Rio Tejo, em Portugal, no dia 09 de março, exatamente 500 anos após a partida de Pedro Álvares Cabral para o descobrimento do Brasil.
O projeto do Cisne Branco inspira-se nos desenhos dos últimos “Clippers” construídos no final do século XIX. A construção do navio ocorreu em tempo recorde, um ano e três meses, com o principal propósito de permitir ao Brasil participar com um navio de propulsão à vela, da histórica travessia em comemoração aos 500 anos de descobrimento do país, em 22 de abril de 2000.
O nome do navio é decorrente de um verso da música Cisne Branco, canção símbolo da Marinha do Brasil, também chamada Canção do Marinheiro. Este é o terceiro navio da Marinha do Brasil a ser batizado com esse nome.
Veleiro-escola
O veleiro Concórdia atracou no Porto de Natal às 9h de ontem, trazendo estudantes americanos e canadenses. Com bandeira de Barbados, o veleiro viaja ao redor do mundo levando estudantes em um programa de 10 meses, que além de apender sobre técnicas de marinhagem, conhecem um pouco da realidade dos países que visitam.
O navio vem da ilha de Santa Helena, no Reino Unido, e parte para Belém do Pará na próxima quarta-feira. Estão a bordo 39 estudantes, cinco professores e dez tripulantes. Um dos estudantes é John Ogle, natural da cidade de Calgary, no Canadá, que contou estar viajando desde o dia 1º de setembro de 2007 e já passou por cidades da América, Europa e África.
Para o estudante, de 19 anos de idade, o programa mudou totalmente sua visão de mundo e quando voltar para a Universidade, ele pretende cursar economia ou comércio exterior. ‘‘Gostei muito da África e depois de ter estado lá passei a ter vontade de ajudar organizações de cidades que conheci’’, afirma John.
A cada dois anos, o navio Concórdia visita os continentes Africano, Europeu e Americano, sempre fazendo parte do programa educacional.
Jornal do Brasil O que se passa nesta cabeça...
Em entrevista exclusiva, Beltrame avisa que não vai conseguir acabar com violência
André Balocco
O cenário, na chegada, é um tanto quanto sombrio. Em meio à desordem urbana que salta aos olhos misturando camelôs, prostitutas, menores infratores e policiais, a Central do Brasil surge imponente. Lá dentro está um dos homens mais poderosos do Estado: José Mariano Beltrame. Como todo bom gaúcho, este sulista, nascido em Santa Maria, não dispensa o chimarrão: basta uma rápida passada de olhos por sua mesa de madeira de lei que lá estão a cuia, a bomba e a erva, escondidos sob a bolsa verde com os dizeres ‘Chimarrão, símbolo de solidariedade’.
– Adoro a erva – diz, sem esconder o característico sotaque carregado de quem nasceu no Rio Grande.
Um pouco mais à esquerda, no impecável gabinete, está a miniatura de um caveirão, blindado muito utilizado pela Polícia Militar para penetrar nas favelas dominadas pelo poder paralelo. Foi neste cenário que o Jornal do Brasil entrevistou, com exclusividade, aquele que é um dos mais importantes pilares da política do governo Cabral.
Vencendo a desconfiança
De um início nervoso por conta da expectativa de mais um bombardeio de críticas, a conversa passou a fluir com naturalidade. Talvez a primeira pergunta tenha sido determinante para que a cordialidade se estabelecesse:
– Antes de tudo, secretário, gostaria de saber se o senhor é candidato a algum cargo na próxima eleição – perguntei.
A resposta veio rápida como os estragos que a polícia vem fazendo no crime organizado, segundo os números apresentados pelo Instituto de Segurança Pública.
– De maneira alguma. Não tenho qualquer pretensão política – avisou.
Daí para a frente o tempo passou mais rápido do que se imaginava. Em pouco mais de 70 minutos de conversa, interrompida apenas uma vez para que passasse ao governador Sérgio Cabral detalhes da operação policial no Leme, que terminou com dois presos na quarta-feira, o homem que apostou na política de confronto com o tráfico se abriu. O orgulho pelo aumento de apreensão de armas pesadas e drogas, desde que assumiu a secretaria, em janeiro do ano passado, está estampado no rosto do policial federal formado na turma de 1981 que, revela, sente saudade do front.
– Era muito bom ir para o combate – conta.
Na conversa, foram vários os assuntos. Descriminalização das drogas, uso de tecnologia militar pelo tráfico para reconstruir armamentos, a importância da inteligência no combate ao crime, a oportunidade histórica que o Estado tem para começar a recuperar o déficit social através do PAC nas favelas, o reconhecimento de que os policiais militares do Rio recebem um salário parco... Mas as revelações não param por aqui. Beltrame conta ainda que vai receber 500 fuzis FAL da Marinha brasileira, que 300 câmeras inteligentes, herança dos Jogos Pan-Americanos, estão encaixotadas em algum ponto da cidade por conta da burocracia, faz críticas à constante troca de secretários nacionais de segurança em Brasília e revela, com incrível segurança: a violência não vai acabar na sua administração.
– A polícia, hoje, enxuga gelo. Temos de estar sempre fazendo um trabalho de contenção para evitar a expansão da criminalidade. Por isso as obras do PAC são tão importantes para complementar este trabalho.
Então, vamos ao que interessa. A seguir, na página ao lado, a entrevista na íntegra que revela o que pensa José Mariano Beltrame, ou simplesmente Beltrame, sobre os problemas que afligem a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Um Rio que ele adotou como seu e aprendeu a amar.
Fala, Beltrame
Novos fuzis
A Marinha está nos cedendo 500 fuzis em lotes intercalados. A PM e a Polícia Civil necessitam deste armamento. Recebemos fuzis FAL 762 revisados, com mil carregadores e 100 vão para a Polícia Civil. Temos bons fuzis apreendidos, como o AK-47 (arma russa), mas há dificuldade para adquirir munição. É uma arma boa, leve, que mais se adapta aqui, mas tem a burocracia.
Armas com civis
A posse deve ser para quem tem necessidade de utilizá-la e isso recai no uso militar. Portanto, para o cidadão, não é bom ter uma.
Tráfico e Exército
O que posso dizer é que determinados equipamentos e explosivos apreendidos, além de armas, têm sido feitos por pessoas com conhecimento em manutenção e recuperação de armamento. E esta técnica não está disponível no mercado. Isso nos concorre a achar que há participação no tráfico. No Pavãozinho, semana passada, apreendemos explosivos que poderiam ser detonados à distância, por controle remoto. Isso não é coisa de amador, não se aprende na esquina.
Menores no crime
É uma situação que nos preocupa, o menor que não tem perspectiva. Ele não tem colégio em tempo integral, uma boa orientação e o que circunda a área onde mora, muitas vezes, não é positivo. Há ainda a família desagregada... Então ele acaba sendo uma presa fácil para o tráfico. Se ele ficar numa laje recebendo R$ 20, no fim do mês vai ganhar mais do que o pai ou a mãe. Esta falta de perspectiva é um problema crucial.
Violência sem fim
Acho que sem dúvida nenhuma a polícia acaba fazendo um trabalho de ‘enxugar gelo’. Ela transparece esta sensação, mas é preciso entender que hoje estamos procurando evitar que isto se alastre. Se pararmos de ‘enxugar gelo’, isto vai crescer muito. Tenho convicção de que a violência não vai terminar na minha gestão nem na do próximo secretário. É um processo de recuperação de cultura, de geração de emprego, de renda.
PAC contra o crime
Acho que o Rio tem historicamente uma grande possibilidade, que é o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania). Podem dizer ‘não, são planos audaciosos, não vai dar certo‘, mas o caminho é este porque recuperam a cidadania. Isto é para, no mínimo, 10 anos. Não há solução a curto prazo.
Política de segurança
Temos informações de que o tráfico hoje passa por dificuldade financeira e de articulação. Os soldados do tráfico já estão pensando duas vezes antes de se exporem guardando um paiol ou fazendo a segurança da droga. Antes, o fuzil era uma arma difícil de aparecer como apreendida. A metralhadora .30, por exemplo: em seis meses pegamos 12, enquanto nos últimos quatro anos foram só duas, se não me engano.
O uso da Inteligência
Não vamos entrar nas favelas sem objetivo, tipo pegar 100 policiais e entrar lá, porque pode acontecer o banho de sangue. Então, depois das ações de inteligência, vamos em busca das pessoas já sabendo onde elas estão e o que têm. Isto aconteceu no Leme. Muitos perguntam: porque o senhor não faz uma operação em tal lugar? Eu digo: não faço nada sem informação concreta porque ela permite que eu planeje, que diminuia a possibilidade de um fato ruim acontecer. O trabalho de inteligência estava desarticulado quando chegamos e hoje estamos muito afinados. A PF nos dá um apoio bom também. Posso dizer que a integração entre as polícias começa com a inteligência.
Inércia do Estado
Este problema da violência, hoje, está complexo porque existia uma inércia do Estado por 30 anos. Por isto o tráfico adquiriu esta gordura criminosa, por inépcia e inércia do Estado. Chegamos numa encruzilhada. Temos de decidir isto.
Liberação das drogas
No campo das idéias não vejo problema algum nas pessoas discutirem isto. Agora, para mim, isto é crime e como tal tenho como obrigação de atuar. Acho que temos de fazer a seguinte reflexão: qualquer atividade econômica humana tem fases, isto é estatística. Para comer arroz nós temos a plantação, a distribuição...A droga é a mesma coisa. Eu te pergunto o seguinte: se eu tirar o consumidor desta cadeia, estou mexendo neste mercado, contribuindo para terminar? Isso é lógico. Sou contra a descriminalização.
Marcha da Maconha
Acho que como manifestação, sim, mas tem de saber discernir entre apologia e manifestação. Liberar sem saber como vai ser a manifestação...Apologia não dá para se liberar. Agora discutir, isto é outra coisa. É temerária a caminhada porque em Recife, onde foi liberado, por exemplo, apareceu gente até fumando. Então, por prevenção, é melhor que não se faça.
Dependência química
Se o Estado quiser descriminalizar a droga, tem de preparar seu sistema de saúde para recuperar o drogado, porque ele mesmo diz que o drogado é um doente. Vamos descriminalizar a droga? Vamos, mas e depois? Não podemos nos iludir: a mesma pessoa que clama por segurança nas ruas pode ser a mesma que vai para dentro da delegacia ou que faz passeata pela descriminalização. Temos menores que cheiram cola, que fumam maconha porque não aguentam mais ver os pais batendo nas mães, o pai estuprar a irmãzinha, não aguentam mais apanhar. Têm pessoas que cheiram cola e fumam maconha porque têm de dormir ali perto da Rodoviária, debaixo do viaduto, assim como há pessoas que vão fumar maconha numa situação muito mais privilegiada social e economicamente do que eles. Quem vai levar a pior? Entre uma pessoa de classe alta que fuma maconha e uma pessoa dessa, quem está sujeito a virar um trapo humano? Falam da descriminalização da droga mas eu quero ver alguém acender um cigarro de maconha diante do centro financeiro de Amsterdam. Quem fuma maconha lá é discriminado. Tem muita água para passar debaixo desta ponte para se chegar a um entendimento, mas acho que uma reflexão no campo das idéias prolifera a discussão. Porém, hoje, no mínimo, é temerário descriminalizar a droga em função deste disparate que temos na sociedade brasileira.
Perícia técnica
Estamos indo muito bem neste caminho. Os pilares na transição eram polícia científica, inteligência, gestão e corregedoria. Com relação à polícia técnica estamos muito bem. Dentro de dois meses teremos um Instituto Médico Legal (IML) novo, com equipamentos importados. E estamos reestruturando o Instituto Carlos Éboli em termos de equipamentos e vidraria. Estou licitando e comprando um equipamento novo e promovendo a visita dos nossos peritos que trabalham no IML e no ICCE aos respectivos institutos em São Paulo. Gastamos em torno de R$ 3 milhões no IML. Já no ICCE o valor é bem menor. São coisas mais leves e por isso com um custo bem mais barato para nós.
Máfia no IML
Conheço o senhor Daniel Ponte (vice-diretor do IML do Rio que denunciou no Congresso a existência de uma máfia no instituto). Já o atendi e o recomendei que procurasse o serviço de proteção à testemunha. Uma coisa é saber sobre fatos e outra é ter provas. Eu não posso trabalhar com "me disseram, me extorquiram". A minha visão aqui não é mais prender. Precisamos fazer provas porque é a Justiça que extirpará estas pessoas.
Novo IML
O IML vai funcionar 24 horas com controle de entrada e saída de pessoas, material e cadáveres. Vai ser um controle eletrônico e muito bem feito. E teremos ainda câmeras filmando o movimento.
Legado do Pan
O material de inteligência está funcionando a 100%. São softwares de cruzamento de dados e informações, um banco de dados de inquérito e processos judiciais. As grande operações que se vê por aí vêm desta inteligência. Planejamos antes do Pan que este equipamento viesse de acordo com a nossa necessidade para depois dos Jogos. Temos uma sala de centro de crise onde herdamos todo o equipamento para ainda montar no terceiro andar.
Burocracia
Ganhar, nós ganhamos os equipamentos, o problema é que ficou uma comissão para fazer a passagem, mas mudou o secretário Nacional de Segurança e mudou a comissão. Já estamos no terceiro desde que assumi! Agora é que nós começamos a nos reunir. Dia 14 teremos a segunda reunião. Temos um número substancial de câmeras para espalhar pela cidade e ligar com os batalhões de suas respectivas áreas. São em torno de 300 que vão se espalhar. Mas não sei ainda quando teremos elas funcionando, pois aí vem o serviço público. Vou recebê-las e depois licitar a instalação delas. Aí vem uma empresa que se sente prejudicada, entra na Justiça, consegue uma liminar. É complicado.
Salários da PM
O policial militar ganha pouco, muito pouco. O governo vai acenar com um aumento mas enquanto isto não acontece, estamos dando salário indireto. O RioCard, a construção dos ambulatórios para a PM na Zona Oeste, a bolsa Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, ação conjunta para capacitar a força policial). Com ela o policial pode se habilitar num curso pela internet e auferir mais R$ 400 mensais. E a Faetec vai fazer cursos de computação nos batalhões.
Corrupção
A corrupção existe e é inegável, mas estamos trabalhando incessantemente no sentido de provar. Temos uma gama grande de denúncias, mas a denúncia é aquela: "fulano me pediu x, me pediu y". Isso só serve para acenar de que a gente vá em cima. Para você ter uma idéia já ultrapassamos aqui, só em 2007, o número de 200 policiais excluídos da PM sumariamente. Agora, o que a gente precisa é de prova.
Milícias
Eu sei onde tem a milícia, mas não adianta ir lá e encontrar um policial armado a paisana. Ele está lá, e daí? Está na folga, está lá, a mãe mora ali, a namorada, um parente. Não posso bater na porta da comunidade e perguntar: ’você paga 10 reais para este pessoa?‘ Se tivesse isto no papel, tudo bem. Então é ônus nosso produzir as provas e agir como fizemos para desarticular aquela milícia (do vereador Jerominho e do deputado estadual Natalino Guimarães), que eu entendo como a mais bem estruturada. É complicado, mas lutamos muito para construir provas com qualidade. E o que tem qualidade demanda tempo.
O Estado de São Paulo Rios amazônicos: naufrágios e uma infinidade de armadilhas flutuantes
Barcos superlotados contribuem para tragédias como a do Comandante Salles, que matou mais de 50 pessoas
José Maria Tomazela
Tragédias como o naufrágio do Comandante Salles 2008, que deixou há uma semana mais de 50 mortos - 46 corpos haviam sido resgatados e pelo menos 10 continuavam desaparecidos até anteontem -, podem voltar a acontecer. Parte da frota que transporta de 30 milhões a 50 milhões de passageiros por ano é composta por verdadeiras armadilhas flutuantes.
São barcos de madeira malconservados e sem equipamentos básicos de navegação, como rádio, que levam cargas e pessoas em excesso. Calcula-se que pelo menos 5 mil sejam piratas, sem registro nas capitanias fluviais da Marinha. Construídos de forma artesanal, muitos não têm estrutura para enfrentar turbulências dos rios e clima amazônicos, sujeitos a tempestades tropicais e mudanças repentinas de vazão. “São como caixas de fósforo numa enxurrada”, resume o comandante do Pelotão de Policiamento Fluvial da Polícia Militar, subtenente Fonseca Paes. É o caso do Comandante Salles, posto para navegar sem ter passado por inspeção. O Estado percorreu, entre quinta e sexta-feira, mais de 100 quilômetros dos Rios Solimões, Negro e Amazonas, a maior parte em barcos dos bombeiros e da PM de Manaus.
Já na partida, no porto da Manaus Moderna, irregularidades eram flagrantes. O navio Ana Maria V estava com tanto peso que a linha d’água ultrapassava o limite de segurança para navegação. Era um barco alto, de madeira, pronto para seguir viagem de sete horas até Orimixá. Empilhada, a carga de bebidas, sacaria e caixas de papelão tomava todo o porão e o convés inferior. Passageiros viajariam na parte superior. “Com uma carga dessas, há risco potencial de tombamento”, disse o subtenente. A carga estava desamarrada e só foi presa na presença do policial. “Veja só, foram comprar o rolo de corda agora.” O conferente Manoel Pinto de Azevedo garantiu que estava “tudo dentro do limite”. Ele mostrou a relação de passageiros que seria entregue à Capitania Fluvial da Marinha. Apesar do fluxo intenso de cargas e passageiros lotando dezenas de barcos, não havia ninguém para conferir planilhas. Em outro barco, a aposentada Maria José Machado, de 56 anos, ajeitava-se nas redes com seis netos pequenos para encarar 15 horas até Urucará. Ela tinha feito a viagem duas vezes e a achava segura, mas ficou assustada com o naufrágio. “A gente entrega na mão de Deus.”
O dono Tito Nogueira de Souza mostrou bóias e coletes salva-vidas “até de sobra”. O problema é a lona plástica que protege as laterais do barco e, em caso de naufrágio, funciona como parede intransponível a quem tenta se salvar. “É para proteger do vento e da chuva”, afirmou.
Outro problema: portas dos camarotes abrem para fora e, em caso de naufrágio, passageiros não conseguem abri-las pela pressão da água. Segundo o comandante, muitos barcos saem com lotação completa do porto, mas param no caminho para pegar mais passageiros. “O pessoal acena do barranco e o barco ou encosta ou reduz a velocidade para ser alcançado pela rabeta (pequena embarcação a motor).” Ele apontou dezenas de pontos de parada entre Manaus e Manacapuru.
No Rio Solimões, outro flagrante de abuso: o barco Suely Gomes transportava pessoas no convés superior. “É totalmente proibido. Um balanço mais forte joga as pessoas para fora e ali não tem bóias e coletes.” Outro barco menor, o Silas, passou com 12 a bordo, todos sem salva-vidas. Uma rabeta com duas crianças era conduzida por um garoto de, no máximo, 15 anos. Havia lanchas da Marinha patrulhando a região, mas os barcos usam furos e paranás, braços de rio, como rotas alternativas para escapar da vigilância. Num deles, o movimento intenso de embarcações incomoda as 50 famílias da Vila Nova, município de Iranduba. O pescador Manoel Veríssimo Rodrigues, de 53 anos, conta que o “banzeiro” - ondas provocadas pelos barcos - balança e estraga o telhado da casa flutuante que divide com a mulher Isabel, seis filhos e uma netinha. “Das 3 às 5 da manhã é muito barco e a casa não pára de balançar.” O movimento se repete das 15 às 22 horas, engrossado pelas balsas boiadeiras que retiram gado das margens alagadas do rio para levar à terra firme. “Os barcos que trazem as crianças da escola quase viram.” Segundo o subtenente, embarcações maiores são obrigadas a reduzir a marcha ao passar em áreas de tráfego de barcos menores, como vilas de pesca. “Ninguém obedece.”
Na noite de quinta-feira, a lancha dos bombeiros cruzou com barcos que trafegavam sem iluminação. Piloto experiente, Paes conta que o Solimões é perigoso: águas avançam sobre as margens e arrancam, além de porções de terra que a tornam barrentas, troncos e capim. Nas partes mais profundas, que chegam a 60 metros, são comuns redemoinhos como o que teria contribuído para o naufrágio do Comandante Salles 2008. Ventos repentinos e tempestades ajudam a desestabilizar as embarcações. A lancha da PM foi uma das vítimas: a manobra rápida do subtenente não conseguiu evitar um tronco que partiu a ponta da hélice, próximo do encontro com as águas do Rio Negro. O tenente Andrey Barbosa Costa, mergulhador dos bombeiros, que participou das buscas dos náufragos, disse que o Solimões é perigoso até para bons nadadores. “Não se vê nada e a corrente pode arrastar para fora do ponto de busca.”
A presidente da Associação dos Armadores do Transporte de Cargas e Passageiros (Atrac), Alessandra Martins, disse que o naufrágio foi uma tragédia anunciada. Segundo ela, há tempos a entidade denuncia as precárias condições do setor por falta de legislação e investimentos públicos. A Atrac anunciou uma greve para a próxima quarta-feira em razão de falta de segurança e do alto custo de combustível. “Nenhum barco vai sair de Manaus”, prometeu.
O Estado de São Paulo Em três anos, mais de 150 mortos em acidentes na região
Dono do barco costuma viajar com a tripulação: “Se reclama do excesso de passageiro, perde o serviço”
José Maria Tomazela
Em pouco mais de três anos, desde 2005, foram registrados 133 acidentes nos rios da Amazônia Ocidental, com um número de mortes superior a 150, incluído o naufrágio do Comandante Salles 2008, no domingo passado. Foram 158 abalroamentos - colisões laterais entre barcos grandes e menores -, 21 colisões frontais e 59 naufrágios. Mortes em naufrágios podem chegar a 130, se somados os desaparecidos no Solimões.
Essa região da Amazônia compreende Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre. Este ano já registra o recorde de 83 mortes, segundo números da Capitania Fluvial de Manaus. Em janeiro, o barco Almirante Monteiro afundou, após colidir com uma barcaça petrolífera, matando 16 pessoas. Em 2007, morreram 18 pessoas, 12 em naufrágios; em 2006, foram 17, 9 em naufrágios, e em 2005, 35 mortes.
O naufrágio do Comandante Salles, com 46 mortes confirmadas e 10 pessoas desaparecidas, pode superar o número de vítimas fatais desde 1999, quando o Ana Maria VIII naufragou, matando 52.
O capitão Paulo Brito da Silva, da Capitania, lembra que a malha fluvial de 22 mil quilômetros são as rodovias da Amazônia, usadas por 35 mil embarcações - 40 mil se consideradas as clandestinas. “A dificuldade é a mesma de controlar a frota de veículos em outras regiões, como no Sudeste”, comparou.
A Capitania dispõe de 550 homens para fiscalizar os rios, o que dá uma área de quase 10 mil km² por militar. Para Silva, o problema não está na falta de pessoal ou equipamentos, mas em aspectos culturais. “O passageiro e alguns donos de barcos, gente que convive com o rio desde o berço, não se dão conta dos riscos.” Ele disse que o piloto é obrigado, sob pena de multa e cassação do registro, a respeitar limites de carga e passageiros. O dono do barco fica sujeito a multa de R$ 40 a R$ 3,2 mil. “Não tem como fiscalizar todos os barcos.” Muitas embarcações carregam e partem sem utilizar as balsas de embarque e desembarque da Capitania para escapar de taxas e fiscalização. “Aqui, cada barranco vira um porto”, diz.
Sobre as condições dos barcos, o capitão lembra que os projetos de construção precisam ser assinados por um engenheiro naval e acompanhados pela Capitania. “Normalmente, o processo é inverso: fazem o barco e querem que seja aprovado.” Como o serviço de transporte fluvial não é regulamentado, as empresas têm pouco interesse em investir no setor.
Silva conta que geralmente o dono do barco viaja com a tripulação, o que tira a autonomia do comandante. “Se reclama do excesso de passageiro, perde o serviço.” A Capitania iniciou programa de segurança com distribuição de livretos e campanha em rádio e televisão. Também criou um telefone para receber denúncias.
O inquérito que apura as causas do naufrágio do Comandante Salles 2008 não foi concluído. Silva diz que entre as causas podem estar excesso de carga, tripulação não habilitada e condições da embarcação, sem registro.
O Globo UMA EXPANSÃO SILENCIOSA PELO CONTINENTE
Acossada em seu país, guerrilha colombiana monta rede de organizações de apoio no resto da América
BOGOTÁ. Bernardo é um economista argentino, de não mais que 50 anos, e, entre 1990 e 1996, foi assessor externo da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). Depois de fazer uma pequena fortuna, acaba de enviar seu filho mais velho aos Estados Unidos para fazer um curso de piloto.
Já o colombiano Héctor Orlando Martínez Quinto chegou em 2000 à Costa Rica e se casou com uma jovem, o que lhe permitiu obter o visto de residência e ingressar no mundo das frotas pesqueiras, em associação com outro colombiano, Huberth González Rivas, também casado com uma costa-riquenha.
Essas poderiam ser histórias ordinárias de emigrantes latino-americanos, a não ser pelo fato de Bernardo e Héctor Orlando serem dois dos agentes usados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para levar adiante uma nova e silenciosa batalha: expandir-se ideológica, logística e financeiramente pela América Latina.
Membros das Farc se passam por refugiados
Bernardo, dizem fontes do Exército colombiano e das próprias Farc que hoje colaboram com a Justiça, foi o encarregado de penetrar em países do Cone Sul, enquanto Héctor Orlando - autor do massacre de Bojayá (Chocó), em maio de 2002 - se meteu no negócio da pesca na Costa Rica para utilizá-lo como base de troca de cocaína por armas. É a conclusão a que chegou o Ministério de Segurança da Costa Rica.
- A estratégia consiste em enviar a esses países quadros com o disfarce de refugiados, que, uma vez instalados, tornam-se intocáveis e iniciam a ofensiva - assegura um oficial colombiano.
Na Argentina, foram recebidos nos últimos cinco anos 80 refugiados políticos colombianos. Mas quando se indaga sobre seu passado e suas atividades, a resposta oficial do governo é que, ainda que entre eles haja vários membros das Farc, trata-se unicamente de perseguidos ou desmobilizados.
O mesmo padrão se repetiria no Equador, no México e no Brasil. Essa estratégia internacional da guerrilha começou a se gestar em 2002, quando Alvaro Uribe chegou ao poder na Colômbia, com um duro discurso contra as Farc e com as Forças Armadas fortalecidas.
- Por causa da pressão militar, as Farc se viram obrigadas a renunciar à campanha de seqüestros e às grandes ações, com que chegaram a penetrar inclusive em Cali, a terceira cidade mais importante da Colômbia - diz um membro da inteligência militar colombiana.
Naquela época, o Secretariado das Farc optou por iniciar a penetração no resto do continente, que já tivera duas fases, embora pouco produtivas. A primeira, nos anos 80, fracassou por inexperiência. E a segunda foi detida pelo retrocesso do socialismo a nível mundial.
Mas essa terceira fase, coordenada pelos membros do Secretariado Raúl Reyes e Iván Márquez, rendeu frutos. As Farc conseguiram armar uma rede de mais de 400 organizações legais, clandestinas e semiclandestinas que respaldam sua causa, da Argentina até os EUA. Sua ponta de lança foi a Coordenadora Continental Bolivariana (CCB). Não é gratuito que, três dias antes da morte de Reyes, o Segundo Congresso da CCB, reunido em Quito (Equador), tenha aprovado uma resolução de apoio à batalha internacional das Farc para serem tiradas da lista de organizações terroristas e reconhecidas como grupo beligerante.
Na rede de organizações articulada pelas Farc há desde movimentos de revolucionários puros até ONGs defensoras dos direitos humanos, passando por partidos políticos legalmente estabelecidos. A inclusão na categoria de legal ou ilegal decorre do tipo de atividades que desempenham. Se o apoio é apenas ideológico, não há laços. Mas se passa a ser, transformam-se imediatamente em alvo das autoridades. E isso é o que começou a ocorrer com muitas organizações em toda a América Latina. Por exemplo, o Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), no Peru, dá respaldo aberto ao discurso das Farc, por ter como coincidência ideológica um acirrado antiimperialismo. Mas, desde 2006, também há indícios de que membros do grupo peruano tenham recebido treinamento militar da guerrilha. A polícia local tem evidências de que as Farc usam a cidade de Iquitos para recrutamento de milicianos e recuperação de feridos, obtenção de armas e tráfico de drogas.
Próximo objetivo é penetrar nos Estados Unidos
Esse limite entre o apoio ideológico e logístico (incluindo-se o tráfico de drogas e armas) e a condição de refugiados por parte daqueles que promovem essas organizações é o que preocupa as autoridades da Colômbia e de outros países da região. Na Cidade do México, por exemplo, chama a atenção que alguns membros das redes bolivarianas têm interesses numa casa de câmbio e em duas empresas.
E no Equador há agentes de ligação, além de o país abrigar acampamentos da guerrilha. Também na Venezuela e na Colômbia, grupos de jovens aglutinados na Cruzada Latino-americana e no Grupo Anarquista foram treinados para manejar explosivos e armas. No Chile, a liderança do trabalho pró-Farc cabe a um refugiado conhecido como Roque, que conseguiu que o Partido Comunista enviasse membros à Colômbia para receberem instrução militar.
No entanto, tudo indica que o principal esforço das Farc esteja encaminhado a estabelecer algum tipo de conexão nos EUA. A inteligência colombiana assegura que as Farc já abriram ali duas bases de trabalho ideológico: uma ONG ambientalista e um centro de estudos. Com todo esse panorama, funcionários da inteligência do governo colombiano admitem que, embora as Farc estejam encurraladas na Colômbia, podem reclamar seu fortalecimento no exterior como seu grande triunfo nos últimos cinco anos.
O Globo UMA EXPANSÃO SILENCIOSA PELO CONTINENTE
Membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)
A maioria sob a condição de refugiados - estão formando desde 2002 núcleos ideológicos, logísticos e financeiros fortes em pelo menos sete países. O Peru serve como provedor de milicianos, armas e drogas; o Equador é um bastião financeiro e refúgio; já Venezuela, Costa Rica e México são locais de lavagem de dinheiro do narcotráfico e apoio ideológico; o Brasil entra na rota das drogas e do fornecimento de armas e a Argentina, como alvo de penetração; os Estados Unidos são o próximo objetivo.
O Grupo de Diários América (GDA), que reúne alguns dos principais jornais do continente e do qual o GLOBO faz parte, juntou esforços para traçar o mapa dessa expansão.
Monday, May 12, 2008
Wednesday, May 07, 2008
Outros exercícios
Nelson de Sá
Não é só com a Marinha dos EUA que o Brasil faz operações no Atlântico Sul. Os indianos "Hindu" e "Economic Times" deram que "o eixo trilateral" Índia, Brasil e África do Sul iniciou na segunda um exercício naval de dez dias, na costa da Cidade do Cabo. Envolvendo navios, submarinos e aviões, "visa a enfrentar o terrorismo no mar".
Folha de São Paulo Antes de sair, Putin fecha acordo nuclear com EUA
Presidente russo entrega hoje o cargo a Medvedev
Um dia antes de entregar o cargo de presidente da Rússia ao aliado Dmitri Medvedev, Vladimir Putin tomou ontem mais uma medida estratégica de última hora ao assinar um acordo de cooperação nuclear civil com os Estados Unidos.
O documento abre uma nova era na parceria tecnológica e comercial russo-americana e sinaliza um apaziguamento na relação bilateral, abalada entre outras razões pela recusa de Moscou em confrontar o programa nuclear iraniano.
O principal objetivo do acordo é ampliar o comércio nuclear bilateral entre empresas das duas maiores potências atômicas do mundo, abrindo caminho para a criação de joint ventures no setor.
O acordo facilitará o acesso dos americanos a enormes reservas de urânio na Rússia e permitirá aos russos penetrarem no mercado de energia nuclear dos EUA. Até agora, a Rússia não tinha acesso direto a esse atrativo segmento de negócios nos EUA.
O pacto também pode ajudar a Rússia a estabelecer uma instalação internacional para estocar combustível nuclear. Haveria dificuldade para fazer isso sem o apoio dos EUA, país que controla a maior parte do combustível nuclear mundial.
"O valor potencial desse acordo é o valor de todos os contratos que podem ser assinados entre as empresas dos dois países na esfera nuclear, que é obviamente de bilhões de dólares", disse uma fonte russa.
Em outra decisão estratégica tomada às vésperas de entregar o cargo, Putin havia promulgado anteontem uma lei que restringe os investimentos estrangeiros em setores estratégicos da economia nacional, como a indústria de armamento e os meios de comunicação.
Segundo a nova lei, as companhias estrangeiras precisarão de autorização oficial para poder comprar mais de 50% das ações de uma companhia estratégica russa.
Herança
Proibido por lei de concorrer a um terceiro mandato, Putin, 55, deixa hoje a Presidência russa após oito anos de gestão com aprovação de 70%. Ele é considerado responsável pelo fim do caos causado pela desintegração da União Soviética e mentor da recuperação da Rússia como potência geopolítica.
Putin continuará tendo grande influência na política russa, já que ele será o primeiro-ministro de Medvedev, que será empossado hoje em grandiosa cerimônia no Kremlin.
Com agências internacionais
Folha de São Paulo Painel do Leitor
Exército
"A respeito do artigo "Em busca da crise" (Brasil, 24/4), o Centro de Comunicação Social do Exército ressalta que o Brasil tem um histórico respeitável no que diz respeito à participação em missões de paz.
Essa participação inclui desde o envio de observadores e assessores militares até a participação mais efetiva com contingentes militares completos, como é o caso no Haiti.
O contingente brasileiro no Haiti é substituído a cada período de seis meses, conforme memorandos de entendimento entre as partes envolvidas e a ONU. A missão não tem prazo previsto para término. Ela é renovada a cada contingente, de acordo com a solicitação do Haiti, a aprovação da ONU e a aceitação por parte do governo brasileiro. Em maio próximo, terá início o rodízio do oitavo para o nono contingente.
Quanto ao cargo de "Force Commander", citado no artigo, que vem sendo exercido por brasileiros desde o início da missão no Haiti, o período de permanência previsto pela ONU -assim como de outros assessores de origem multinacional- é de um ano, diferentemente do da tropa. Em casos excepcionais, e quando solicitado pela a ONU, há a permanência do oficial-general além daquele prazo.
As atividades realizadas pelos brasileiros integrantes do Exército representam um esforço histórico de cooperação do país com a paz mundial. A missão no Haiti é a única -entre aquelas da ONU que visam à imposição de paz- que detém alto índice de aprovação por parte da população local (cerca de 78%)."
ADHEMAR DA COSTA MACHADO FILHO, general-de-divisão, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército (Brasília, DF)
Resposta do jornalista Janio de Freitas
- Não há, no artigo citado, uma só palavra contrária ou a respeito dos conceitos contidos na carta acima.
Jornal do Brasil Naufrágio já matou 34 no Rio Solimões
Passageiros desaparecidos ainda são cerca de 20, s
MANAUS
Subiu para 34 o número de mortos no naufrágio do barco Comandante Sales, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus), na madrugada de domingo. Somente ontem 17 corpos foram localizados nos rios Solimões e Amazonas. De acordo com a Polícia Civil, ainda há de 10 a 20 pessoas desaparecidas. As vítimas localizadas até agora são 17 homens, 16 mulheres e um menino de cerca de um ano.
O comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, Antônio dos Santos, disse que já era esperado que mais corpos começassem a boiar após 48 horas do acidente, já que as águas do rio Solimões são frias, o que favorece a conservação dos cadáveres.
– Em águas mais quentes a deterioração do corpo é maior e eles vão à tona em cerca de 24 horas – explicou Santos.
A maior parte dos corpos foi encontrada na região onde o barco de madeira tombou. Dois dos corpos, contudo, foram localizados a cerca de 50 km do local do naufrágio, já no rio Amazonas, nas imediações de Manaus.
Por conta da localização distante desses corpos, equipes de buscas montaram uma barreira' com lanchas no local para tentar evitar, visualmente, que corpos sejam levados pela correnteza do rio. O raio das buscas foi estendido para até 60 km do ponto do acidente.
Ontem, cerca de cem integrantes da Marinha e do Corpo de Bombeiros trabalhavam nas buscas. Um helicóptero da Marinha também foi usado na operação.
Até o início da noite, apenas os 17 corpos localizados entre o último domingo e segunda-feira haviam sido identificados. Os outros 17 permaneciam no Instituto Médico Legal em Manaus, para reconhecimento.
Investigação
O delegado Antônio Rodrigues disse que peritos iniciam hoje a perícia no barco, que possui dois andares e cerca de 20 metros de comprimento. Segundo o delegado, a causa mais provável do acidente foi excesso de passageiros, o que teria impossibilitado a embarcação de passar por um remoinho (movimento em círculo causado pelo cruzamento de ondas ou ventos), causando seu tombamento.
A capacidade do barco era de 50 pessoas. De acordo com estimativas do Corpo de Bombeiros, estaria transportando cerca de 80 no momento do acidente. A maioria participava de uma festa religiosa na comunidade Lago do Pesqueiro. Segundo a Marinha, o barco estava em situação irregular.
Segundo Rodrigues, ainda é difícil saber quantas pessoas sobreviveram ao acidente, devido ao grande número de barcos que ajudaram no resgate. A estimativa, segundo ele, é de cerca de 50 sobreviventes.
Jornal do Brasil Bahia: destroços do bimotor são achados
Equipes de resgate confirmaram ontem ter encontrado destroços do bimotor Cessna C-130 Q desaparecido desde o final da tarde de sexta-feira no litoral sul da Bahia. A aeronave transportava quatro empresários ingleses, além do piloto e do co-piloto. Ninguém foi encontrado. Segundo o capitão da PM e coordenador da operação de busca por terra, os objetos foram guardados e examinados na manhã de ontem. As buscas aos passageiros e tripulantes foram retomadas hoje, com ajuda da Marinha
Jornal do Brasil COLUNA GILBERTO AMARAL
Alto comando /Temporão no Senado/Ano polar
Gilberto Amaral
Alto comando
Foi transferida para o fim de maio, a reunião do Alto Comando do Exército. O comandante Enzo Martins Peri vai tratar com os quatro-estrelas de assuntos administrativos. Na próxima reunião deverá haver promoções.
Temporão no Senado
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai hoje ao Senado fazer uma prestação de contas sobre as iniciativas de seu ministério na luta de combate à dengue em território nacional.
No caso específico do Rio, há que se reconhecer o esforço das Forças Armadas, junto com os setores diretamente responsáveis do governo, para conseguir o controle do surto epidêmico.
Ano polar
O Congresso realiza sessão solene conjunta, nesta quinta-feira, às 10h, para comemorar a primeira participação do Brasil no 4º Ano Polar Internacional, que reúne um conjunto de ações científicas no Ártico e na Antártica. O programa envolve mais de 200 projetos, com milhares de cientistas de mais de 60 países que analisam uma série de tópicos nas áreas da física, da biologia e da pesquisa social
O Estado de São Paulo Chegam a 34 os mortos em naufrágio
MPE diz que pode bloquear bens de donos para pagar indenizações; Lula diz que ‘ganância’ causou tragédia
André Alves
O prefeito de Manacapuru, Washington Régis, afirmou ontem que o número de vítimas do naufrágio do barco Comandante Sales 2008 pode chegar a 50. Até ontem, 34 corpos haviam sido resgatados. Após o cruzamento de dados colhidos pelo serviço social da prefeitura com informações da Polícia Civil, chegou-se à conclusão de que ainda há pelo menos 20 pessoas desaparecidas.
Ontem, equipes do Corpo de Bombeiros e da Marinha encontraram mais 17 corpos (6 mulheres, 10 homens e 1 criança do sexo masculino). Desses, 2 foram encontrados flutuando no encontro das águas dos Rios Negro e Solimões, a pelo menos 30 quilômetros do local do acidente. As equipes de resgate trabalham numa extensão de 60 quilômetros à procura dos corpos de outras vítimas.
“Os corpos estão começando a boiar” , comentou o prefeito de Manacapuru, cidade onde residiam todas as vítimas do acidente. Na tarde de segunda-feira, 17 pessoas foram sepultadas no município. O barco Comandante Sales 2008 naufragou na madrugada do domingo, no Rio Solimões, interior do Amazonas.
Promotores do Ministério Público do Amazonas anunciaram que vão acompanhar as investigações sobre as causas do naufrágio. A apuração está sendo conduzida pela Capitania dos Portos e pela 1ª Delegacia Regional de Manacapuru. Um dos representantes da comissão, o promotor Agnaldo Concy, lamentou a falta de dados precisos sobre o número de passageiros do barco. “Até o momento, o único número de que dispomos é o de vítimas registradas no IML (Instituto Médico-Legal).”
Concy ressaltou que esses dados “são importantíssimos” para ajudar as famílias das vítimas a requererem indenização dos proprietários do barco. Um deles, Francisco Sales, morreu no acidente. Segundo o MPE, os bens de Sales podem ser bloqueados pela Justiça e posteriormente repassados às famílias. Estima-se que 80 a 100 pessoas estivessem na embarcação no momento do acidente.
Em visita oficial ao Amazonas, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que os próprios passageiros de embarcações exijam segurança, embora tenha admitido que já viajou em embarcações “com caixa-d’água com peixe, bode, cavalo, com um palmo de água pra entrar, com tudo dentro”. “Mas as pessoas precisam autofiscalizar-se. Ninguém pode jogar sua vida numa embarcação que não tenha as condições adequadas”, afirmou. “Quando um cidadão ganancioso pensa em ganhar dinheiro alugando um barco, colocando mais gente do que deveria colocar, sem a segurança ideal, esse cidadão está cometendo crime contra o povo.”
O Estado de São Paulo Venezuela busca compra de submarinos da Rússia
Roberto Godoy
O presidente Hugo Chávez, da Venezuela, vai assinar essa semana, em Moscou, o contrato inicial de US$ 800 milhões para a compra dos primeiros quatro submarinos, de um provável lote de nove modelos da classe Kilo-2, considerados “muito silenciosos e furtivos”, de acordo com o chefe do estaleiro Rubin, engenheiro Yuri Kormilitsin.
A negociação foi anunciada pelo principal jornal de economia do país, o Kommersant. Chávez está na Rússia para assistir à posse, hoje, do novo presidente, Dmitri Medvedev (leia na pág. 14).
O valor total estimado da operação é de US$ 2,4 bilhão, com o armamento e o recheio eletrônico. A agência russa para venda de equipamentos e sistemas militares, a Rosoboronexport, admitiu as “discussões comerciais”. O Kilo 2-636 é a última geração de uma herança da Guerra Fria. Na prática, é um novo navio de combate. É um modelo médio, que desloca 4.000 toneladas submerso, e veloz, operando na faixa de 25 nós, com autonomia de 13,5 mil km. Não há igual na América Latina - mesmo o novo submarino convencional brasileiro, o francês Scórpene, é menor, com 1.700 toneladas. O armamento é composto por 20 torpedos de 533 mm, 24 minas e 18 mísseis: 16 antiaéreos leves Igla e Strela, para atingir alvos voando baixo, entre 4,2 km e 5,5 km; mais 2 Oniks, de cruzeiro.
Duas das seis câmaras disparadoras dianteiras foram preparadas para receber o torpedo de alto desempenho e médio alcance Shkval-E. Lançado dentro de uma de bolha de ar comprimido, viaja por 13 km levando 210 quilos de explosivos a 400 km/h.
O Globo Amorim: continente rejeita separatismo
Em nome dos vizinhos, chanceler diz que autonomia na Bolívia deve ser negociada com o governo
Eliane Oliveira*
BRASÍLIA. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem, após se reunir com o chanceler uruguaio, Gonzalo Fernández, que as nações sul-americanas jamais aceitariam o separatismo na Bolívia, como resultado do referendo realizado no último domingo em Santa Cruz e dos que estão por vir em outros departamentos. A autonomia, defendeu o ministro, deve ser negociada com La Paz.
- Não creio que haja separatismo. Até porque a América do Sul não aceitaria isso - disse Amorim.
Ele frisou que o Brasil não se posicionaria contra o desejo de autonomia, desde que se respeitem os princípios constitucionais e seja da vontade do povo boliviano. Segundo o ministro, é preciso que o estatuto que foi votado em Santa Cruz esteja de acordo com a Constituição em vigor no país.
O ministro defendeu um amplo acordo na Bolívia.
- É perfeitamente possível restabelecer o diálogo com a ajuda da Igreja, da OEA (Organização dos Estados Americanos) e dos países amigos - disse Amorim, referindo-se ao Grupo de Amigos da Bolívia, formado por Brasil, Argentina e Colômbia. - O que temos que fazer é trabalhar de maneira coordenada, para irmos todos no mesmo sentido. Neste momento, temos de encontrar uma maneira de restabelecer o diálogo e é nisso que estamos empenhados. Mas com discrição, sem impor nada. Não podemos nos esquecer de que, nesse caso, o grupo de amigos foi uma sugestão inicial do próprio governo boliviano.
União Européia mostra sintonia com o Brasil
Indagado se, com a realização do referendo em Santa Cruz, um acordo não teria ficado ainda mais difícil, o chanceler brasileiro respondeu:
- O referendo já passou. Não adianta ficar pensando se é mais fácil ou menos fácil. A Bolívia é um país com o qual temos que trabalhar com as unidades nacionais. Agora, tem que haver diálogo.
Para Amorim, os eventos em Santa Cruz foram muito menos dramáticos do que o imaginado.
A União Européia (UE) também está preocupada com a tensão política, informou ontem a comissária de Relações Exteriores do bloco, Benita Ferrero-Waldner. Numa videoconferência sobre a Cúpula UE/América Latina e Caribe, marcada para este mês em Lima, no Peru, ela manifestou disposição de facilitar a aproximação entre o governo boliviano e as regiões opositoras.
- Fazemos votos para que todos os esforços, seja da Igreja, da Organização dos Estados Americanos e dos enviados do grupo de países amigos, realmente façam algo para fomentar este diálogo e que tenham êxito - disse Ferrero-Waldner, em sintonia com o Brasil.
*COLABOROU Geralda Doca
O Globo Rio reúne caçadores de ciclones
Evento este mês será o primeiro a dedicado a supertempestades no Atlântico Sul
Ana Lucia Azevedo
Ciclones extratropicais como o que deixou milhares de desabrigados e trouxe a primeira neve do ano no Sul do Brasil esta semana não são raros no país, diferentemente do que muita gente pensa. Porém, eles não são previstos com muita segurança em prazos superiores a cinco dias, o que poderia evitar mortes e prejuízos. Mas melhorar a previsão e traçar planos de redução de danos são as metas do Encontro Internacional sobre Ciclones do Atlântico Sul, que acontecerá no Rio de 19 a 21 de maio.
O evento será o primeiro a reunir somente especialistas nas chamadas tempestades severas para discutir o Atlântico Sul, muito menos conhecido e monitorado do que o Norte, vigiado por satélites, radares e bóias oceanográficas americanos e europeus. Por tempestade severa entenda-se fenômenos como ciclones, tornados, furacões e todo tipo de tempestade de alto poder destrutivo.
- Reuniremos especialistas do Brasil, de países do Cone Sul, da Austrália e dos Estados Unidos - diz o coordenador do encontro, Isimar de Azevedo Santos, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Um desses especialistas é Manoel Alonso Gan, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), em São José dos Campos, São Paulo. Gan participa de um programa para desenvolver um modelo capaz de prever que um ciclone destrutivo está a caminho, com antecedência de uma semana a dez dias. Ele é o representante do Brasil no programa Thorpex, da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O Thorpex tem como meta melhorar a previsão de eventos climáticos extremos em todo o mundo e há dois anos criou um comitê para o Hemisfério Sul.
- Prevemos quando um ciclone vai se formar com até quatro dias de antecedência. Mas isso não é suficiente para evitar danos muito extensos. Se um agricultor soubesse com antecipação maior que será atingido por uma geada, poderá antecipar a colheita e reduzir o prejuízo - explica Gan, um estudioso do Catarina, o único furacão registrado no Atlântico Sul e que em março de 2004 atingiu Santa Catarina.
Para isso, é preciso investimento em equipamentos - satélites, bóias oceânicas, radares, sensores em aviões e balões climatológicos, por exemplo. E é necessário aperfeiçoar os modelos matemáticos usados para prever o tempo. Engana-se quem imagina que caçar tempestades é trabalho de fiscal da natureza. Olhos eletrônicos de satélites, sensores e radares fazem esse serviço. Meteorologistas e climatologistas lidam com números. Desenvolvem e analisam modelos que transformam em números os fenômenos climáticos. E a matemática do clima ainda se enrola nas contas quando se trata de prever fenômenos como os ciclones, nos quais uma série quase infindável de elementos, como detalhes de vento, oceanos e atmosfera, estão envolvidos.
- No Brasil há poucos radares, fundamentais para prever fenômenos extremos. E devemos refinar nossos modelos, para que antecipem a formação de um ciclone, contando com dados preliminares - diz Gan.
Santos observa que num cenário de aquecimento global, em que o painel climático da ONU prevê o aumento da intensidade e da freqüência de supertempestades, esse tipo de previsão salvará vidas.
- Esse conhecimento é importante para planejamento urbano, navegação, atividades portuárias, prospecção de petróleo e turismo, por exemplo - diz Santos, coordenador do projeto "Estudo de Ciclones no Atlântico Sul e Impactos na Costa do Estado do Rio de Janeiro (Ciclones), apoiado pela Finep.
Nelson de Sá
Não é só com a Marinha dos EUA que o Brasil faz operações no Atlântico Sul. Os indianos "Hindu" e "Economic Times" deram que "o eixo trilateral" Índia, Brasil e África do Sul iniciou na segunda um exercício naval de dez dias, na costa da Cidade do Cabo. Envolvendo navios, submarinos e aviões, "visa a enfrentar o terrorismo no mar".
Folha de São Paulo Antes de sair, Putin fecha acordo nuclear com EUA
Presidente russo entrega hoje o cargo a Medvedev
Um dia antes de entregar o cargo de presidente da Rússia ao aliado Dmitri Medvedev, Vladimir Putin tomou ontem mais uma medida estratégica de última hora ao assinar um acordo de cooperação nuclear civil com os Estados Unidos.
O documento abre uma nova era na parceria tecnológica e comercial russo-americana e sinaliza um apaziguamento na relação bilateral, abalada entre outras razões pela recusa de Moscou em confrontar o programa nuclear iraniano.
O principal objetivo do acordo é ampliar o comércio nuclear bilateral entre empresas das duas maiores potências atômicas do mundo, abrindo caminho para a criação de joint ventures no setor.
O acordo facilitará o acesso dos americanos a enormes reservas de urânio na Rússia e permitirá aos russos penetrarem no mercado de energia nuclear dos EUA. Até agora, a Rússia não tinha acesso direto a esse atrativo segmento de negócios nos EUA.
O pacto também pode ajudar a Rússia a estabelecer uma instalação internacional para estocar combustível nuclear. Haveria dificuldade para fazer isso sem o apoio dos EUA, país que controla a maior parte do combustível nuclear mundial.
"O valor potencial desse acordo é o valor de todos os contratos que podem ser assinados entre as empresas dos dois países na esfera nuclear, que é obviamente de bilhões de dólares", disse uma fonte russa.
Em outra decisão estratégica tomada às vésperas de entregar o cargo, Putin havia promulgado anteontem uma lei que restringe os investimentos estrangeiros em setores estratégicos da economia nacional, como a indústria de armamento e os meios de comunicação.
Segundo a nova lei, as companhias estrangeiras precisarão de autorização oficial para poder comprar mais de 50% das ações de uma companhia estratégica russa.
Herança
Proibido por lei de concorrer a um terceiro mandato, Putin, 55, deixa hoje a Presidência russa após oito anos de gestão com aprovação de 70%. Ele é considerado responsável pelo fim do caos causado pela desintegração da União Soviética e mentor da recuperação da Rússia como potência geopolítica.
Putin continuará tendo grande influência na política russa, já que ele será o primeiro-ministro de Medvedev, que será empossado hoje em grandiosa cerimônia no Kremlin.
Com agências internacionais
Folha de São Paulo Painel do Leitor
Exército
"A respeito do artigo "Em busca da crise" (Brasil, 24/4), o Centro de Comunicação Social do Exército ressalta que o Brasil tem um histórico respeitável no que diz respeito à participação em missões de paz.
Essa participação inclui desde o envio de observadores e assessores militares até a participação mais efetiva com contingentes militares completos, como é o caso no Haiti.
O contingente brasileiro no Haiti é substituído a cada período de seis meses, conforme memorandos de entendimento entre as partes envolvidas e a ONU. A missão não tem prazo previsto para término. Ela é renovada a cada contingente, de acordo com a solicitação do Haiti, a aprovação da ONU e a aceitação por parte do governo brasileiro. Em maio próximo, terá início o rodízio do oitavo para o nono contingente.
Quanto ao cargo de "Force Commander", citado no artigo, que vem sendo exercido por brasileiros desde o início da missão no Haiti, o período de permanência previsto pela ONU -assim como de outros assessores de origem multinacional- é de um ano, diferentemente do da tropa. Em casos excepcionais, e quando solicitado pela a ONU, há a permanência do oficial-general além daquele prazo.
As atividades realizadas pelos brasileiros integrantes do Exército representam um esforço histórico de cooperação do país com a paz mundial. A missão no Haiti é a única -entre aquelas da ONU que visam à imposição de paz- que detém alto índice de aprovação por parte da população local (cerca de 78%)."
ADHEMAR DA COSTA MACHADO FILHO, general-de-divisão, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército (Brasília, DF)
Resposta do jornalista Janio de Freitas
- Não há, no artigo citado, uma só palavra contrária ou a respeito dos conceitos contidos na carta acima.
Jornal do Brasil Naufrágio já matou 34 no Rio Solimões
Passageiros desaparecidos ainda são cerca de 20, s
MANAUS
Subiu para 34 o número de mortos no naufrágio do barco Comandante Sales, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus), na madrugada de domingo. Somente ontem 17 corpos foram localizados nos rios Solimões e Amazonas. De acordo com a Polícia Civil, ainda há de 10 a 20 pessoas desaparecidas. As vítimas localizadas até agora são 17 homens, 16 mulheres e um menino de cerca de um ano.
O comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, Antônio dos Santos, disse que já era esperado que mais corpos começassem a boiar após 48 horas do acidente, já que as águas do rio Solimões são frias, o que favorece a conservação dos cadáveres.
– Em águas mais quentes a deterioração do corpo é maior e eles vão à tona em cerca de 24 horas – explicou Santos.
A maior parte dos corpos foi encontrada na região onde o barco de madeira tombou. Dois dos corpos, contudo, foram localizados a cerca de 50 km do local do naufrágio, já no rio Amazonas, nas imediações de Manaus.
Por conta da localização distante desses corpos, equipes de buscas montaram uma barreira' com lanchas no local para tentar evitar, visualmente, que corpos sejam levados pela correnteza do rio. O raio das buscas foi estendido para até 60 km do ponto do acidente.
Ontem, cerca de cem integrantes da Marinha e do Corpo de Bombeiros trabalhavam nas buscas. Um helicóptero da Marinha também foi usado na operação.
Até o início da noite, apenas os 17 corpos localizados entre o último domingo e segunda-feira haviam sido identificados. Os outros 17 permaneciam no Instituto Médico Legal em Manaus, para reconhecimento.
Investigação
O delegado Antônio Rodrigues disse que peritos iniciam hoje a perícia no barco, que possui dois andares e cerca de 20 metros de comprimento. Segundo o delegado, a causa mais provável do acidente foi excesso de passageiros, o que teria impossibilitado a embarcação de passar por um remoinho (movimento em círculo causado pelo cruzamento de ondas ou ventos), causando seu tombamento.
A capacidade do barco era de 50 pessoas. De acordo com estimativas do Corpo de Bombeiros, estaria transportando cerca de 80 no momento do acidente. A maioria participava de uma festa religiosa na comunidade Lago do Pesqueiro. Segundo a Marinha, o barco estava em situação irregular.
Segundo Rodrigues, ainda é difícil saber quantas pessoas sobreviveram ao acidente, devido ao grande número de barcos que ajudaram no resgate. A estimativa, segundo ele, é de cerca de 50 sobreviventes.
Jornal do Brasil Bahia: destroços do bimotor são achados
Equipes de resgate confirmaram ontem ter encontrado destroços do bimotor Cessna C-130 Q desaparecido desde o final da tarde de sexta-feira no litoral sul da Bahia. A aeronave transportava quatro empresários ingleses, além do piloto e do co-piloto. Ninguém foi encontrado. Segundo o capitão da PM e coordenador da operação de busca por terra, os objetos foram guardados e examinados na manhã de ontem. As buscas aos passageiros e tripulantes foram retomadas hoje, com ajuda da Marinha
Jornal do Brasil COLUNA GILBERTO AMARAL
Alto comando /Temporão no Senado/Ano polar
Gilberto Amaral
Alto comando
Foi transferida para o fim de maio, a reunião do Alto Comando do Exército. O comandante Enzo Martins Peri vai tratar com os quatro-estrelas de assuntos administrativos. Na próxima reunião deverá haver promoções.
Temporão no Senado
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai hoje ao Senado fazer uma prestação de contas sobre as iniciativas de seu ministério na luta de combate à dengue em território nacional.
No caso específico do Rio, há que se reconhecer o esforço das Forças Armadas, junto com os setores diretamente responsáveis do governo, para conseguir o controle do surto epidêmico.
Ano polar
O Congresso realiza sessão solene conjunta, nesta quinta-feira, às 10h, para comemorar a primeira participação do Brasil no 4º Ano Polar Internacional, que reúne um conjunto de ações científicas no Ártico e na Antártica. O programa envolve mais de 200 projetos, com milhares de cientistas de mais de 60 países que analisam uma série de tópicos nas áreas da física, da biologia e da pesquisa social
O Estado de São Paulo Chegam a 34 os mortos em naufrágio
MPE diz que pode bloquear bens de donos para pagar indenizações; Lula diz que ‘ganância’ causou tragédia
André Alves
O prefeito de Manacapuru, Washington Régis, afirmou ontem que o número de vítimas do naufrágio do barco Comandante Sales 2008 pode chegar a 50. Até ontem, 34 corpos haviam sido resgatados. Após o cruzamento de dados colhidos pelo serviço social da prefeitura com informações da Polícia Civil, chegou-se à conclusão de que ainda há pelo menos 20 pessoas desaparecidas.
Ontem, equipes do Corpo de Bombeiros e da Marinha encontraram mais 17 corpos (6 mulheres, 10 homens e 1 criança do sexo masculino). Desses, 2 foram encontrados flutuando no encontro das águas dos Rios Negro e Solimões, a pelo menos 30 quilômetros do local do acidente. As equipes de resgate trabalham numa extensão de 60 quilômetros à procura dos corpos de outras vítimas.
“Os corpos estão começando a boiar” , comentou o prefeito de Manacapuru, cidade onde residiam todas as vítimas do acidente. Na tarde de segunda-feira, 17 pessoas foram sepultadas no município. O barco Comandante Sales 2008 naufragou na madrugada do domingo, no Rio Solimões, interior do Amazonas.
Promotores do Ministério Público do Amazonas anunciaram que vão acompanhar as investigações sobre as causas do naufrágio. A apuração está sendo conduzida pela Capitania dos Portos e pela 1ª Delegacia Regional de Manacapuru. Um dos representantes da comissão, o promotor Agnaldo Concy, lamentou a falta de dados precisos sobre o número de passageiros do barco. “Até o momento, o único número de que dispomos é o de vítimas registradas no IML (Instituto Médico-Legal).”
Concy ressaltou que esses dados “são importantíssimos” para ajudar as famílias das vítimas a requererem indenização dos proprietários do barco. Um deles, Francisco Sales, morreu no acidente. Segundo o MPE, os bens de Sales podem ser bloqueados pela Justiça e posteriormente repassados às famílias. Estima-se que 80 a 100 pessoas estivessem na embarcação no momento do acidente.
Em visita oficial ao Amazonas, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que os próprios passageiros de embarcações exijam segurança, embora tenha admitido que já viajou em embarcações “com caixa-d’água com peixe, bode, cavalo, com um palmo de água pra entrar, com tudo dentro”. “Mas as pessoas precisam autofiscalizar-se. Ninguém pode jogar sua vida numa embarcação que não tenha as condições adequadas”, afirmou. “Quando um cidadão ganancioso pensa em ganhar dinheiro alugando um barco, colocando mais gente do que deveria colocar, sem a segurança ideal, esse cidadão está cometendo crime contra o povo.”
O Estado de São Paulo Venezuela busca compra de submarinos da Rússia
Roberto Godoy
O presidente Hugo Chávez, da Venezuela, vai assinar essa semana, em Moscou, o contrato inicial de US$ 800 milhões para a compra dos primeiros quatro submarinos, de um provável lote de nove modelos da classe Kilo-2, considerados “muito silenciosos e furtivos”, de acordo com o chefe do estaleiro Rubin, engenheiro Yuri Kormilitsin.
A negociação foi anunciada pelo principal jornal de economia do país, o Kommersant. Chávez está na Rússia para assistir à posse, hoje, do novo presidente, Dmitri Medvedev (leia na pág. 14).
O valor total estimado da operação é de US$ 2,4 bilhão, com o armamento e o recheio eletrônico. A agência russa para venda de equipamentos e sistemas militares, a Rosoboronexport, admitiu as “discussões comerciais”. O Kilo 2-636 é a última geração de uma herança da Guerra Fria. Na prática, é um novo navio de combate. É um modelo médio, que desloca 4.000 toneladas submerso, e veloz, operando na faixa de 25 nós, com autonomia de 13,5 mil km. Não há igual na América Latina - mesmo o novo submarino convencional brasileiro, o francês Scórpene, é menor, com 1.700 toneladas. O armamento é composto por 20 torpedos de 533 mm, 24 minas e 18 mísseis: 16 antiaéreos leves Igla e Strela, para atingir alvos voando baixo, entre 4,2 km e 5,5 km; mais 2 Oniks, de cruzeiro.
Duas das seis câmaras disparadoras dianteiras foram preparadas para receber o torpedo de alto desempenho e médio alcance Shkval-E. Lançado dentro de uma de bolha de ar comprimido, viaja por 13 km levando 210 quilos de explosivos a 400 km/h.
O Globo Amorim: continente rejeita separatismo
Em nome dos vizinhos, chanceler diz que autonomia na Bolívia deve ser negociada com o governo
Eliane Oliveira*
BRASÍLIA. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem, após se reunir com o chanceler uruguaio, Gonzalo Fernández, que as nações sul-americanas jamais aceitariam o separatismo na Bolívia, como resultado do referendo realizado no último domingo em Santa Cruz e dos que estão por vir em outros departamentos. A autonomia, defendeu o ministro, deve ser negociada com La Paz.
- Não creio que haja separatismo. Até porque a América do Sul não aceitaria isso - disse Amorim.
Ele frisou que o Brasil não se posicionaria contra o desejo de autonomia, desde que se respeitem os princípios constitucionais e seja da vontade do povo boliviano. Segundo o ministro, é preciso que o estatuto que foi votado em Santa Cruz esteja de acordo com a Constituição em vigor no país.
O ministro defendeu um amplo acordo na Bolívia.
- É perfeitamente possível restabelecer o diálogo com a ajuda da Igreja, da OEA (Organização dos Estados Americanos) e dos países amigos - disse Amorim, referindo-se ao Grupo de Amigos da Bolívia, formado por Brasil, Argentina e Colômbia. - O que temos que fazer é trabalhar de maneira coordenada, para irmos todos no mesmo sentido. Neste momento, temos de encontrar uma maneira de restabelecer o diálogo e é nisso que estamos empenhados. Mas com discrição, sem impor nada. Não podemos nos esquecer de que, nesse caso, o grupo de amigos foi uma sugestão inicial do próprio governo boliviano.
União Européia mostra sintonia com o Brasil
Indagado se, com a realização do referendo em Santa Cruz, um acordo não teria ficado ainda mais difícil, o chanceler brasileiro respondeu:
- O referendo já passou. Não adianta ficar pensando se é mais fácil ou menos fácil. A Bolívia é um país com o qual temos que trabalhar com as unidades nacionais. Agora, tem que haver diálogo.
Para Amorim, os eventos em Santa Cruz foram muito menos dramáticos do que o imaginado.
A União Européia (UE) também está preocupada com a tensão política, informou ontem a comissária de Relações Exteriores do bloco, Benita Ferrero-Waldner. Numa videoconferência sobre a Cúpula UE/América Latina e Caribe, marcada para este mês em Lima, no Peru, ela manifestou disposição de facilitar a aproximação entre o governo boliviano e as regiões opositoras.
- Fazemos votos para que todos os esforços, seja da Igreja, da Organização dos Estados Americanos e dos enviados do grupo de países amigos, realmente façam algo para fomentar este diálogo e que tenham êxito - disse Ferrero-Waldner, em sintonia com o Brasil.
*COLABOROU Geralda Doca
O Globo Rio reúne caçadores de ciclones
Evento este mês será o primeiro a dedicado a supertempestades no Atlântico Sul
Ana Lucia Azevedo
Ciclones extratropicais como o que deixou milhares de desabrigados e trouxe a primeira neve do ano no Sul do Brasil esta semana não são raros no país, diferentemente do que muita gente pensa. Porém, eles não são previstos com muita segurança em prazos superiores a cinco dias, o que poderia evitar mortes e prejuízos. Mas melhorar a previsão e traçar planos de redução de danos são as metas do Encontro Internacional sobre Ciclones do Atlântico Sul, que acontecerá no Rio de 19 a 21 de maio.
O evento será o primeiro a reunir somente especialistas nas chamadas tempestades severas para discutir o Atlântico Sul, muito menos conhecido e monitorado do que o Norte, vigiado por satélites, radares e bóias oceanográficas americanos e europeus. Por tempestade severa entenda-se fenômenos como ciclones, tornados, furacões e todo tipo de tempestade de alto poder destrutivo.
- Reuniremos especialistas do Brasil, de países do Cone Sul, da Austrália e dos Estados Unidos - diz o coordenador do encontro, Isimar de Azevedo Santos, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Um desses especialistas é Manoel Alonso Gan, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), em São José dos Campos, São Paulo. Gan participa de um programa para desenvolver um modelo capaz de prever que um ciclone destrutivo está a caminho, com antecedência de uma semana a dez dias. Ele é o representante do Brasil no programa Thorpex, da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O Thorpex tem como meta melhorar a previsão de eventos climáticos extremos em todo o mundo e há dois anos criou um comitê para o Hemisfério Sul.
- Prevemos quando um ciclone vai se formar com até quatro dias de antecedência. Mas isso não é suficiente para evitar danos muito extensos. Se um agricultor soubesse com antecipação maior que será atingido por uma geada, poderá antecipar a colheita e reduzir o prejuízo - explica Gan, um estudioso do Catarina, o único furacão registrado no Atlântico Sul e que em março de 2004 atingiu Santa Catarina.
Para isso, é preciso investimento em equipamentos - satélites, bóias oceânicas, radares, sensores em aviões e balões climatológicos, por exemplo. E é necessário aperfeiçoar os modelos matemáticos usados para prever o tempo. Engana-se quem imagina que caçar tempestades é trabalho de fiscal da natureza. Olhos eletrônicos de satélites, sensores e radares fazem esse serviço. Meteorologistas e climatologistas lidam com números. Desenvolvem e analisam modelos que transformam em números os fenômenos climáticos. E a matemática do clima ainda se enrola nas contas quando se trata de prever fenômenos como os ciclones, nos quais uma série quase infindável de elementos, como detalhes de vento, oceanos e atmosfera, estão envolvidos.
- No Brasil há poucos radares, fundamentais para prever fenômenos extremos. E devemos refinar nossos modelos, para que antecipem a formação de um ciclone, contando com dados preliminares - diz Gan.
Santos observa que num cenário de aquecimento global, em que o painel climático da ONU prevê o aumento da intensidade e da freqüência de supertempestades, esse tipo de previsão salvará vidas.
- Esse conhecimento é importante para planejamento urbano, navegação, atividades portuárias, prospecção de petróleo e turismo, por exemplo - diz Santos, coordenador do projeto "Estudo de Ciclones no Atlântico Sul e Impactos na Costa do Estado do Rio de Janeiro (Ciclones), apoiado pela Finep.
Saturday, May 03, 2008
Correio Braziliense BOLÍVIA
Morales pede unidade militar diante de ameaça
Presidente critica ex-comandantes que atuam a favor do separatismo em Santa Cruz, às vésperas da votação no departamento mais rico do país
O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu que os militares do país permaneçam unidos diante do referendo de autonomia previsto para amanhã no departamento de Santa Cruz, no maior desafio ao governo que tomou posse em 2006. Em uma cerimônia com oficiais das forças armadas em Cochabamba, Morales admitiu que há dissidências na instituição. Ele afirmou que alguns ex-comandantes estariam a serviço de um suposto objetivo separatista.
“Ex-comandantes me ensinaram a defender a pátria, e sinto que esse serviço continua, mas não é porque somos ex-soldados ou ex-comandantes que podemos ser influenciados com algumas versões de independência de algum departamento, de uma nova república”, disse o presidente. “Não é possível que alguns ex-comandantes tratem de falar mal das forças armadas (...) Por isso, peço às autoridades que orientem muito bem o povo boliviano e deixem de falar sobre independência (de Santa Cruz) ou sobre nova república”, insistiu.
O governador de Santa Cruz, Rubén Costas, disse recentemente que uma “nova república” seria criada a partir do referendo, cuja validade não é reconhecida pelo governo nem pela Justiça. Com a autonomia, a oposição conservadora espera colocar a região à margem da reforma agrária prometida por Morales, entre outros projetos a serem adotados com base na futura Constituição de teor socialista.
Santa Cruz é a região mais rica e desenvolvida do país, e nela se encontram as mais estratégicas reservas de gás e petróleo bolivianas. Entre outros benefícios, o departamento pretende, com a aprovação do estatuto de autonomia, administrar por conta própria seus recursos financeiros e fechar acordos internacionais sem necessidade de intervenção do governo central.
Também ontem, o ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, garantiu o fornecimento de gás a seus principais mercados de exportação, Brasil e Argentina, depois da nacionalização de quatro companhias estrangeiras de petróleo que operam no país: Chaco (British Petroleum), Transredes (Ashmore), CLHB (de capital alemão e peruano), além da Andina. “Garantimos o abastecimento porque a decisão de tomar o controle das companhias de petróleo foi planejada. Garantimos o abastecimento externo e interno”, ressaltou Villegas.
Correio Braziliense ACIDENTE NÁUTICO
Versões contraditórias
Condutores do barco e da lancha que se chocaram no Lago Paranoá divergem sobre momento da batida. Um diz que era dia e o outro, noite. Só com a definição do horário, polícia apontará responsável
Pablo Rebello
Contradições cercam as investigações do acidente náutico que ocorreu no fim da tarde de quinta-feira no Lago Paranoá, próximo do Palácio da Alvorada. Depoimentos dos donos das embarcações indicam horários diferentes para a colisão entre a lancha Old Saylor e o barco de pescas Tira-Onda, que resultou na morte do capitão do Exército Luiz Antônio de Mattos Lima, 38 anos. A noiva dele, a assistente social Leizelane Aparecida Tenório, 30, ficou gravemente ferida e encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base.
Para o delegado-chefe da 5ª Delegacia de Polícia (área central de Brasília), Damião Lemos, a definição do momento da batida é crucial para descobrir qual dos condutores estava errado. “Não há dúvidas de que houve negligência por uma das partes. Se já estava escuro, o barco de pescas não deveria estar no local, visto que não tem iluminação de navegação. Se estava claro, precisamos saber porque a lancha não viu o barco”, explica. O delegado pretende identificar testemunhas que tenham presenciado o acidente, como funcionários do Palácio da Alvorada e pessoas que estavam em outras embarcações próximas do local.
O dono do barco de pescas, o servidor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Carlos Eduardo Ottolini de Oliveira, 54, prestou depoimento na tarde de ontem. Ele disse que saiu do Clube do Exército às 15h30 para passear com o amigo Luiz Antônio e a noiva, Leizelane. Os três foram até a Barragem do Paranoá e, na volta, pararam perto do Palácio da Alvorada para tirar fotos. Carlos Eduardo estava na poupa da embarcação. O capitão do Exército estava do lado direito e a assistente social, do esquerdo. O servidor conta que ainda estava claro quando a lancha atingiu o meio do barco de pesca, lançando os três tripulantes para dentro do lago.
Escuro
Dono da lancha, o técnico em telecomunicações Carlos Eduardo Almeida, 31, apresenta outra versão. Ele explicou que saiu da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça (Assejus) no final da tarde com um amigo, o analista de sistemas Rafael Vinícius Pereira, 30. Como estava com pouca gasolina e começava a ficar escuro, Carlos Eduardo julgou melhor se manter próximo às margens enquanto levava a lancha até a Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal (Apcef) para guardar o veículo. Segundo ele, como estava escuro, o farol da lancha estava acesso, mas ele não viu o outro barco e o atingiu.
Os dois relatos são parecidos sobre o que ocorreu após a batida. A lancha parou perto do barco de pesca, que estava de cabeça para baixo, e os dois tripulantes socorreram os passageiros da embarcação avariada. Rafael pediu ajuda ao Corpo de Bombeiros às 18h40. O condutor do barco foi o primeiro a ser encontrado e retirado da água. Ele contou que tinha outras duas pessoas na água. O piloto da lancha mergulhou e resgatou Leizelane, mas não encontrou Luiz Antônio.
Por enquanto, o delegado Damião prefere não falar em indiciamentos. O caso está sendo tratado como homicídio culposo (sem intenção de matar), que tem pena de dois a quatro anos de prisão. A delegacia instaurou inquérito e terá 30 dias para esclarecer como ocorreu o acidente.
Colaboraram Maria Vitória e Ary Filgueira
Correio Braziliense Documentos em ordem
O acidente náutico também é investigado pela Delegacia Fluvial de Brasília. Diferentemente da Polícia Civil, que analisa o aspecto criminal do caso, os policiais fluviais têm a missão de estudar outros elementos que ajudem a esclarecer a colisão. “Temos que checar as condições e equipamentos de segurança de cada uma das embarcações para determinar o que houve”, explicou o delegado fluvial, comandante Jorge Silva Filho.
Ele avisou que já foi instaurado um inquérito administrativo, que tem 90 dias para ser concluído. O comandante adiantou que os documentos da lancha e do barco estão em dia. “Os dois condutores são habilitados para o exercício da navegação e as embarcações estão devidamente registrada na Capitania dos Portos”, detalhou Silva Filho. Policiais fluviais periciaram os veículos na tarde de ontem.
O comandante pretende tomar depoimentos dos envolvidos e de possíveis testemunhas. Uma das informações que a delegacia checava ontem diz respeito à presença de um veleiro nas proximidades do local do acidente. “Mas ainda precisamos localizar essa embarcação”, disse Silva Filho. Ele também procura saber se estava claro ou não na hora da colisão, visto que o barco de pesca não tinha condições de segurança para navegar no escuro.
O barco abalroado foi deixado próximo ao local do acidente, nas margens do Palácio da Alvorada. O veículo de alumínio apresenta um grande amassado na lateral. Já a lancha encontra-se na Apcef, para onde era levada antes da batida. (PR)
MEMÓRIA - Mortes na água
11 de novembro de 2007
O sargento reformado da PM Ismar Lopes de Oliveira, 47 anos, morreu perto do Clube Recreativo e Esportivo dos Subtenentes e Sargentos da PM (Cresspom), no Setor de Clubes Norte. Ele foi atropelado pela lancha modelo Cobra 16 conduzida por Davi Cândido Simões, 26. O dono da embarcação, Diego Torres Dias, 29, estava em uma prancha e era puxado pela lancha. Ismar e os colegas preparavam-se para mergulhar. A lancha teria passado a cerca de 20m do grupo.
8 de setembro de 2007
O garçom Giliová Nunes da Mata, 23, desapareceu durante um passeio de barco com 12 amigos pelo Lago Paranoá, próximo à Península dos Ministros. Os bombeiros suspeitam que ele se afogou. O grupo estava na lancha modelo Ventura 230, conduzida pelo mecânico Valdemir Xavier Pereira, 28, que não tinha habilitação para conduzir embarcações. O mecânico teria passado a direção para uma das garotas e, por volta das 23h, após uma curva brusca, o garçom caiu na água.
Correio Braziliense Embarcações devem seguir regras
João Campos
Assim como o tráfego terrestre e aéreo, o trânsito aquaviário tem regras para manter a segurança de embarcações e tripulantes. Respeitar os limites de velocidade e fazer uso dos equipamentos de segurança e de sinalização evitam tragédias. A fiscalização das atividades nos 111km do Lago Paranoá é dividida entre a Companhia de Polícia Militar Ambiental (CPMA) e a Marinha. Ambas seguem a Normam 3, conjunto de regras elaboradas pela Diretoria de Portos e Costas para navegantes amadores de esporte ou recreio.
A frota náutica do DF, que inclui as de Goiás, é a terceira maior do Brasil. Só perde para a do Rio de Janeiro e a de Santos (SP). São 40 mil embarcações: 20 mil em Brasília. Em 2007, foram registrados três acidentes no Paranoá. A média é de 60 ocorrências por mês. A maioria está relacionada com o consumo de álcool e falta da documentação obrigatória.
A CPMA cuida do patrulhamento ordinário, como a autuação de condutores embriagados. A fiscalização da Marinha é administrativa. Os militares checam as permissões para dirigir veículos aquáticos e o cumprimento das normas de segurança. “Trabalhamos em conjunto 24 horas. Também combatemos os crimes ambientais”, explica o major Alexandre Alves, comandante da CPMA.
O Lago Paranoá, considerado por especialistas um ótimo ponto para navegação e lazer pela sua extensão e profundidade média de 10m, se enquadra na categoria Navegação Interior 1 da Norman 3: “tais como hidrovias interiores, lagos, lagoas, baías, rios e áreas marítimas onde, normalmente, não há dificuldades ao tráfego das embarcações”. “É uma pista em bom estado de conservação, mas, além de ter a embarcação registrada e ser devidamente habilitado junto à Capitania dos Portos, é preciso ter coletes salva-vidas e bóias de salvamento nas embarcações de médio porte”, detalha o delegado fluvial de Brasília, o comandante Jorge Silva Filho,
No caso da navegação noturna, ele ressalta a obrigatoriedade do uso de luzes nas laterais e na popa (parte traseira) da embarcação. “Há uma série de outros itens, mas esses são os cruciais para um navegação com segurança”, observa Silva Filho. Para ele, a lancha envolvida no acidente de quinta-feira estava em acordo com as exigências legais: iluminação, equipamentos de segurança e documentação em dia. “Ainda não se sabe as causa do choque, mas é provável que tenha sido a falta de iluminação do barco de pesca. Atravessar o lago sem luz durante a noite é como atravessar o Eixão de olhos vendados”, compara o militar.
Kit de segurança
Empresário do setor de embarcações e náutico há mais de 40 anos, Ari Lopes Cunha defende o uso de medidas simples para evitar acidentes como o ocorrido há dois dias. “Um kit com um mastro e uma luz 360º — com visibilidade de 3,5km de alcance — resolveria a situação. A grande maioria dos pesqueiros não apresentam nenhuma iluminação, o que é um risco permanente durante a noite”, explica. Segundo Ari, o mastro com a lâmpada e uma bateria elétrica para geração de energia custam, em média, R$ 200.
Correio Braziliense BRASÍLIA – DF
Perigo no céu
Chama atenção o número de acidentes com aeronaves de pequeno porte ocorridos do início do ano até 24 de abril. Na chamada aviação geral, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáutica registrou 38 ocorrências, número recorde para o período.
Correio Braziliense CONEXÃO DIPLOMÁTIMA
Negócios à parte
Como é comum no Oriente Médio, diferenças e queixumes saem de campo na hora de falar em negócios. É o que mostra a assinatura do acordo comercial entre o Estado judaico e o Mercosul, para o qual o Itamaraty funcionou como pivô. Israel e Brasil têm trocado regularmente visitas em nível ministerial, e ainda no mês passado começaram a sair do papel acordos recém-assinados para cooperação acadêmica, técnica e científica. Um grupo de especialistas brasileiros está a caminho para trocar experiências em assuntos de manejo e reaproveitamento de água, matéria na qual eles esbanjam excelência. (Nós esbanjamos a água propriamente dita...) Também são exploradas oportunidades de negócios no campo militar, em contatos com os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos).
Folha de São Paulo Pentágono lança ofensiva na internet
Sem revelar patrocínio claramente, Defesa dos EUA mantém sites noticiosos no exterior para promover seus interesses
PETER EISLER
O Departamento da Defesa dos EUA está criando uma rede de sites de notícias em línguas estrangeiras e contratando jornalistas locais para escrever sobre os acontecimentos correntes e produzir outras formas de conteúdo que promovam seus interesses e contrabalancem a mensagem de extremistas. Os sites noticiosos foram inspirados em iniciativa semelhante desenvolvida no passado visando os Bálcãs e o norte da África e são parte de uma ação do Pentágono para expandir as "operações de informações" na internet.
A iniciativa não foi revelada publicamente. No caso do iraquiano Mawtani.com, no ar desde outubro, só um link no pé da página revela o patrocínio do Pentágono. À primeira vista, parece um site convencional. Grupos de defesa da liberdade de imprensa dizem que os sites são enganosos e podem facilmente ser confundidos com noticiários independentes.
"O que eles estão tentando é controlar a mensagem, contornando a mídia e apresentando a versão deles diretamente aos usuários; é uma responsabilidade séria informar as pessoas qual é a fonte dessas notícias", diz Amy Mitchell, diretora-assistente do Projeto de Excelência em Jornalismo.
Funcionários do Pentágono dizem que os sites são uma forma legítima e necessária de promover os objetivos políticos dos EUA e rebater as mensagens dos extremistas religiosos e políticos. Eles afirmam ainda que os EUA e seus aliados têm sido superados na batalha por levar informações a audiências do Iraque e outros países.
"É importante conquistar a atenção dessas audiências estrangeiras e informá-las", disse Michael Vickers, secretário-assistente de Defesa para operações especiais e esforços de estabilização.
"Nossos adversários usam a internet em benefício próprio, de modo que temos a responsabilidade de rebater suas mensagens com informações precisas e verossímeis."
América Latina
O Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas está criando um site semelhante ao mawtani.com para as audiências latino-americanas. O Comando do Pacífico, que cobre a região asiática, também está interessado em estabelecer um site noticioso, segundo um porta-voz da Marinha.
Em memorando distribuído em meados de 2007, o secretário-assistente da Defesa Gordon England informou todos os comandantes regionais de que o desenvolvimento de sites como esses era "parte essencial da responsabilidade ao formular um ambiente de segurança em suas respectivas áreas".
O conteúdo dos sites noticiosos é redigido por jornalistas locais contratados para escrever reportagens que se enquadrem aos objetivos do Pentágono. Militares ou empresas terceirizadas revisam as matérias para garantir que sejam compatíveis com esses objetivos. Os repórteres só são pagos por trabalhos postados nos sites.
Os sites noticiosos se seguem ao lançamento no ano passado, pelo Pentágono, de uma "iniciativa transregional", com o objetivo de criar "um mínimo de seis" sites noticiosos dirigidos pelos comandos militares dos EUA, segundo notificação do Comando de Operações Especiais a empresas interessadas em operar esses sites.
"Os jovens nas ruas gostam da internet, e essa é a maneira pela qual eles se comunicam, sabem do que acontece no mundo, se mantêm informados. E eles escolhem com cuidado as fontes de notícias que usam", disse o coronel Jerry O'Hara, do Exército. "Temos de estar envolvidos nisso a fim de garantir comunicação efetiva."
"Isso é deliberadamente enganoso e debilita a imagem do jornalismo como observador objetivo", rebate Marvin Kalb, pesquisador do Centro Joan Sorensen de Imprensa, Política e Questões Públicas na Universidade Harvard. Ele aponta que boa parte da audiência que o Pentágono visa atingir vive em regiões do mundo onde as pessoas esperam que as notícias sejam controladas pelo governo. "Somos a exceção, e, infelizmente, tornamo-nos cada vez mais parecidos com o resto do mundo quando agimos assim".
Tradução de PAULO MIGLIACCI
Folha de São Paulo Clinton diz que Brasil tem responsabilidade e honra de preservar a Amazônia
DANIEL BERGAMASCO
Presidente dos Estados Unidos entre 1993 e 2001, Bill Clinton declarou ontem em palestra em Nova York que a floresta amazônica dá ao Brasil, ao mesmo tempo, a "mais dura" responsabilidade sobre o futuro climático do planeta e o "privilégio" de poder assumir o desafio de preservá-la.
Diante da platéia de empresários, políticos e artistas brasileiros, Clinton disse: "Desejo que estivesse aqui ouvindo, e não falando. Porque não há país no mundo que faça mais esforços para encontrar um caminho para desenvolvimento sustentável para salvar o mundo do aquecimento global do que o Brasil (...) Sinto que vocês têm um grande problema [desmatamento], mas têm também uma sorte grande de ter a Amazônia. É uma honra ter a responsabilidade de preservá-la."
A palestra foi parte do 2º Fórum de Desenvolvimento Sustentável, organizado pela ONG Anubra (Associação das Nações Unidas Brasil), do empresário Mário Garnero, da Brasilinvest.
O ex-presidente americano mencionou o fato do álcool de cana-de-açúcar, cuja produção predomina no Brasil, ser mais eficiente que o de milho, comum nos EUA. Contudo, disse ele, é preciso zelar para que a plantação do produto não gere desmatamento.
Em discurso anterior, no mesmo fórum, Paula Dobriansky, Secretária-Adjunta de Estado para Democracia e Relações Globais, cobrou os países emergentes sobre a redução de emissão de gás carbônico. "Não adianta nada só os Estados Unidos cortarem", afirmou ela.
Jornal do Brasil COLUNA GILBERTO AMARAL
Na Antártica/Dia da Vitória
Gilberto Amaral
Na Antártica
Na próxima semana as duas Casas do Parlamento estarão envolvidas em atividades dedicadas ao continente Antártico. O objetivo é trazer mais informações sobre as pesquisas realizadas pelo Brasil na Antártica, que vêm auxiliando no entendimento dos diversos fenômenos climatológicos e vinculados à fauna e flora do Brasil. A programação inclui exposição, seminários, exibição de filme e uma Sessão Solene.
Dia da Vitória
O Dia da Vitória, para os mais jovens, vitória dos aliados contra o nazismo na 2ª Grande Guerra Mundial, dia 8, será revivido no Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro. Com a presença do ministro da Defesa Nelson Jobim, do vice-presidente José Alencar e dos comandantes militares, várias personalidades serão condecoradas com a Comenda da Vitória. Os brasileiros fizeram bonito e demonstraram bravura nos combates, principalmente em Monte Castelo.
O Dia Exército de prontidão
De plantão nas matas do Leme para impedir ataques ao Forte Duque de Caxias, militares fazem alerta à polícia para não ser confundidos com traficantes no caso de tiroteio durante a noite
Paula Sarapu
Rio - Para evitar que traficantes refugiados na mata dos morros Chapéu Mangueira e da Babilônia, no Leme, se aproximem do Forte Duque de Caxias, sentinelas do Exército estão em posições estratégicas desde o início da semana. Policiais do 19º BPM (Copacabana) e do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) chegaram a ser alertados, por telefone, para ter cuidado nas operações e não “confundir” os militares do Corpo de Guarda com bandidos que têm feito da mata campo de batalha desde o dia 21.
O subcomandante do Centro de Estudos de Pessoal do Exército, que funciona dentro do forte, coronel Nilson Rodrigues, disse que “a área militar é sempre reforçada quando há conflitos de gangues”, mas que não há riscos à segurança da base. A área militar na Rua Coelho Cintra, onde ficam as casas de militares sobre o túnel que liga Botafogo a Copacabana, também está em alerta. A polícia afirma que os bandidos invasores chegam e fogem das comunidades por lá.
Há dois dias, os moradores do Leme não escutam tiroteios. O Serviço Reservado do 19º BPM tem informações de que o bando invasor, ligado a José Ricardo Ribeiro Rosa, o Cagado, teria deixado o Morro da Babilônia, tomado dos rivais há cerca de 15 dias. PMs do Gpae continuam ocupando as duas favelas e o bairro está com policiamento reforçado.
Os intensos confrontos têm alterado a rotina dos moradores. Um casal que mora no fim da Rua General Ribeiro da Costa contou que, para chegar em casa, prefere seguir pela Rua Gustavo Sampaio e entrar pela contramão da Rua Anchieta. Tudo isso para não passar em frente à Ladeira Ary Barroso, um dos acessos às favelas.
Já a professora Luciana Almagro, 32 anos, evita cortar caminho na volta para casa, quando sai do Shopping Rio Sul. “Por causa da mata, por onde eles entram e saem da favela, a gente decidiu trocar o caminho. Pegamos mais engarrafamento, mas não subimos pela Coelho Cintra”, disse ela, ao lado da sobrinha Júlia, 8, que está fora de casa desde a invasão. “Ela mora na Ladeira e não quer voltar. Está muito impressionada.”
A estratégia dos taxistas é não passar pela Rua Coelho Cintra — antigo ponto de descanso — em alguns horários. “Qualquer movimento na mata, mesmo durante o dia, já chama nossa atenção. Tenho medo que ‘bonde’ pegue nossos táxis para fugir”, contou F., taxista há 15 anos.
O Estado de São Paulo Pequim constrói base naval nuclear, diz revista
AFP
A China está construindo secretamente uma grande base naval nuclear na ilha de Hanan, no sul do país, revelou ontem a revista britânica de defesa ‘Jane’s’. Em sua última edição, a revista afirma ter conseguido confirmar a existência da base com a análise de fotografias de satélite tiradas pelo DigitalGlobe.
“Pequim parece construir uma importante base naval subterrânea que poderia significar o fortalecimento de suas capacidades estratégicas”, afirma a publicação. Para a revista, o governo chinês quer reforçar o controle sobre a região e defender o acesso a vias marítimas vitais.
O Globo Buscas a piloto de helicóptero recomeçam hoje
Co-piloto é sepultado no Rio. Mau tempo atrapalha o resgate
Dicler Filho
Bombeiros do 26º Grupamento, de Paraty, e mergulhadores do Grupamento de Buscas e Salvamento, do Rio, com auxílio de uma equipe da Capitania dos Portos, realizaram ontem, pelo terceiro dia consecutivo, buscas na tentativa para localizar o piloto Manoel Afonso de Souza Pereira, de 59 anos. A equipe de resgate encontrou pequenos pedaços da fuselagem da aeronave. As buscas terminaram no início da noite, mas serão retomadas na manhã de hoje.
O piloto desapareceu após o helicóptero prefixo PR-IPO, da empresa Cosan, cair no mar na quarta-feira, na Praia de Laranjeiras, próximo a Trindade, a 500 metros da costa de Paraty. O acidente aconteceu quando o helicóptero retornava para São Paulo.
A assessoria de imprensa da Cosan não informou o número exato de passageiros que saíram de São Paulo, na quarta-feira, e foram deixados pela aeronave em um condomínio de luxo na Praia das Laranjeiras. Eles embarcaram na capital paulista.
O corpo do co-piloto Carlos Eduardo Jesus Azevedo, de 58 anos, foi sepultado ontem no Cemitério do Caju, no Rio. Ele foi resgatado na noite de quarta-feira, logo após o acidente.
Segundo a Cosan, os dois pilotos eram cariocas e moravam em São Paulo.
Os destroços da aeronave não foram encontrados pela equipe de resgate. A estimativa é de que o helicóptero poderá ajudar na identificação das causas do acidente, que aconteceu a 500 metros da costa.
As buscas foram reforçadas com um aparelho conhecido como Cyberscan, que possibilita uma varredura no mar, onde a equipe trabalha, ou seja, na Praia de Laranjeiras. Seis barcos são utilizados nas buscas. Os trabalhos de resgate foram prejudicados pelo mau tempo.
O Globo Disputa atrasa criação de novas linhas de barcas
Pouco mais de um ano depois do anúncio da abertura de novas licitações de transporte aquaviário para a linha de aerobarcos Niterói-Praça Quinze e para a linha de barcas São Gonçalo-Rio, muito pouco foi feito. Em abril do ano passado, o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, anunciou a concorrência depois de uma série de acidentes envolvendo as embarcações das duas empresas responsáveis pelo transporte hidroviário: Barcas S/A e Transtur. O motivo de tanto atraso, de acordo com a Secretaria estadual de Transportes, seria uma disputa judicial com as duas empresas, que não querem perder o direito de explorar as linhas.
O Globo OBITUÁRIO
Deputado Ricardo Izar, aos 71 anos
Presidente do Conselho de Ética da Câmara, o deputado Ricardo Izar (PTB-SP), de 71 anos, se destacou durante a crise do mensalão, em 2005. Ele foi reeleito presidente do Conselho de Ética em março passado, quando derrotou o petista José Eduardo Cardozo (SP). A eleição de Izar foi considerada uma derrota para o PT, que trabalhava para ter à frente do colegiado um nome mais afinado com o partido e com o governo.
Izar começou carreira política em 1964, como vereador em São Paulo, pela Aliança Renovadora Nacional (Arena). Depois, foi eleito deputado estadual para três mandatos e, em 1988, assumiu a Câmara em Brasília, filiado ao antigo PFL, hoje DEM. Nos sucessivos mandatos, passou pelo PPB do ex-governador Paulo Maluf antes de ingressar no PTB.
Durante a Constituinte, teve 147 propostas aprovadas, o maior número individual de emendas incorporadas ao texto constitucional. Formado em direito, era pós-graduado em direito penal pela PUC-SP, onde foi presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto.
Ricardo Izar morreu às 16h de ontem, em São Paulo. Ele estava internado desde o fim de março na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Coração, onde foi submetido, no dia 2 de abril, a uma cirurgia para correção de aneurisma na aorta. De acordo com boletim médico, Izar morreu por falência de múltiplos órgãos, em decorrência de complicações no processo de pós-operatório de cirurgia de dissecção de aorta.
Parlamentares que integram o Conselho de Ética da Câmara lamentaram a morte de Izar. O deputado José Carlos Araújo (PR-BA) contou que visitou o colega no início da tarde de anteontem, e que o petebista começava a voltar à consciência após longo período sedado:
- Era um grande amigo, bom presidente, homem sério, competente. Eu lastimo muito a falta de Ricardo Izar.
O deputado Efraim Filho (DEM-PB), o mais jovem do Conselho de Ética, com 29 anos, disse que Izar, que estava no sexto mandato, era uma referência para os parlamentares iniciantes:
- O trabalho no conselho era um referencial, para mim, pela forma com que ele conduzia. É uma perda para o Congresso, que já tem uma carência muito grande. Ele buscou a verdade, independentemente de estar agradando a determinado parlamentar.
O velório do deputado começou ontem à noite, na Assembléia Legislativa de São Paulo, e o sepultamento está previsto para a tarde de hoje, no Cemitério do Araçá, no Centro da cidade. Casado com Marisa Izar, o deputado deixa dois filhos e uma neta.
O Globo País enviará energia para Argentina
Fornecimento, porém, não garante retomada de vendas de trigo ao Brasil
BRASÍLIA. O Brasil vai enviar para a Argentina 800 megawatts (MW) de energia entre maio e setembro, mas poderá estender até 1.500MW, caso necessário. Parte da energia cedida pelo Brasil deverá ser paga em dinheiro. O volume que não for usado terá de ser devolvido entre setembro e dezembro.
O acordo foi anunciado ontem pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, após encontro com o ministro argentino de Planejamento Federal, Orçamentos Públicos e Serviços, Julio Miguel De Vido. As bases da troca haviam sido acertadas inicialmente durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de 2008, a Buenos Aires.
- As quantidades que forem utilizadas e não pagas pelos argentinos serão devolvidas em forma de energia durante a primavera - afirmou Lobão.
A energia fornecida pelo Brasil deverá ser, prioritariamente, de hidrelétricas. Em segundo lugar, poderá ser enviada energia gerada por usinas a gás. As térmicas a óleo só enviarão energia em último caso.
Em meio às discussões com o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, sobre o valor da energia de Itaipu paga pelo Brasil, Lobão foi veemente em ressaltar que a energia gerada pela hidrelétrica binacional não será repassada.
Presente ao encontro, Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais da Presidência da República, foi categórico ao negar qualquer relação entre o empréstimo de energia brasileira com a retomada das exportações de trigo argentino:
- Não é uma moeda de troca. São assuntos diferentes. (Gustavo Paul)
Morales pede unidade militar diante de ameaça
Presidente critica ex-comandantes que atuam a favor do separatismo em Santa Cruz, às vésperas da votação no departamento mais rico do país
O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu que os militares do país permaneçam unidos diante do referendo de autonomia previsto para amanhã no departamento de Santa Cruz, no maior desafio ao governo que tomou posse em 2006. Em uma cerimônia com oficiais das forças armadas em Cochabamba, Morales admitiu que há dissidências na instituição. Ele afirmou que alguns ex-comandantes estariam a serviço de um suposto objetivo separatista.
“Ex-comandantes me ensinaram a defender a pátria, e sinto que esse serviço continua, mas não é porque somos ex-soldados ou ex-comandantes que podemos ser influenciados com algumas versões de independência de algum departamento, de uma nova república”, disse o presidente. “Não é possível que alguns ex-comandantes tratem de falar mal das forças armadas (...) Por isso, peço às autoridades que orientem muito bem o povo boliviano e deixem de falar sobre independência (de Santa Cruz) ou sobre nova república”, insistiu.
O governador de Santa Cruz, Rubén Costas, disse recentemente que uma “nova república” seria criada a partir do referendo, cuja validade não é reconhecida pelo governo nem pela Justiça. Com a autonomia, a oposição conservadora espera colocar a região à margem da reforma agrária prometida por Morales, entre outros projetos a serem adotados com base na futura Constituição de teor socialista.
Santa Cruz é a região mais rica e desenvolvida do país, e nela se encontram as mais estratégicas reservas de gás e petróleo bolivianas. Entre outros benefícios, o departamento pretende, com a aprovação do estatuto de autonomia, administrar por conta própria seus recursos financeiros e fechar acordos internacionais sem necessidade de intervenção do governo central.
Também ontem, o ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, garantiu o fornecimento de gás a seus principais mercados de exportação, Brasil e Argentina, depois da nacionalização de quatro companhias estrangeiras de petróleo que operam no país: Chaco (British Petroleum), Transredes (Ashmore), CLHB (de capital alemão e peruano), além da Andina. “Garantimos o abastecimento porque a decisão de tomar o controle das companhias de petróleo foi planejada. Garantimos o abastecimento externo e interno”, ressaltou Villegas.
Correio Braziliense ACIDENTE NÁUTICO
Versões contraditórias
Condutores do barco e da lancha que se chocaram no Lago Paranoá divergem sobre momento da batida. Um diz que era dia e o outro, noite. Só com a definição do horário, polícia apontará responsável
Pablo Rebello
Contradições cercam as investigações do acidente náutico que ocorreu no fim da tarde de quinta-feira no Lago Paranoá, próximo do Palácio da Alvorada. Depoimentos dos donos das embarcações indicam horários diferentes para a colisão entre a lancha Old Saylor e o barco de pescas Tira-Onda, que resultou na morte do capitão do Exército Luiz Antônio de Mattos Lima, 38 anos. A noiva dele, a assistente social Leizelane Aparecida Tenório, 30, ficou gravemente ferida e encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base.
Para o delegado-chefe da 5ª Delegacia de Polícia (área central de Brasília), Damião Lemos, a definição do momento da batida é crucial para descobrir qual dos condutores estava errado. “Não há dúvidas de que houve negligência por uma das partes. Se já estava escuro, o barco de pescas não deveria estar no local, visto que não tem iluminação de navegação. Se estava claro, precisamos saber porque a lancha não viu o barco”, explica. O delegado pretende identificar testemunhas que tenham presenciado o acidente, como funcionários do Palácio da Alvorada e pessoas que estavam em outras embarcações próximas do local.
O dono do barco de pescas, o servidor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Carlos Eduardo Ottolini de Oliveira, 54, prestou depoimento na tarde de ontem. Ele disse que saiu do Clube do Exército às 15h30 para passear com o amigo Luiz Antônio e a noiva, Leizelane. Os três foram até a Barragem do Paranoá e, na volta, pararam perto do Palácio da Alvorada para tirar fotos. Carlos Eduardo estava na poupa da embarcação. O capitão do Exército estava do lado direito e a assistente social, do esquerdo. O servidor conta que ainda estava claro quando a lancha atingiu o meio do barco de pesca, lançando os três tripulantes para dentro do lago.
Escuro
Dono da lancha, o técnico em telecomunicações Carlos Eduardo Almeida, 31, apresenta outra versão. Ele explicou que saiu da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça (Assejus) no final da tarde com um amigo, o analista de sistemas Rafael Vinícius Pereira, 30. Como estava com pouca gasolina e começava a ficar escuro, Carlos Eduardo julgou melhor se manter próximo às margens enquanto levava a lancha até a Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal (Apcef) para guardar o veículo. Segundo ele, como estava escuro, o farol da lancha estava acesso, mas ele não viu o outro barco e o atingiu.
Os dois relatos são parecidos sobre o que ocorreu após a batida. A lancha parou perto do barco de pesca, que estava de cabeça para baixo, e os dois tripulantes socorreram os passageiros da embarcação avariada. Rafael pediu ajuda ao Corpo de Bombeiros às 18h40. O condutor do barco foi o primeiro a ser encontrado e retirado da água. Ele contou que tinha outras duas pessoas na água. O piloto da lancha mergulhou e resgatou Leizelane, mas não encontrou Luiz Antônio.
Por enquanto, o delegado Damião prefere não falar em indiciamentos. O caso está sendo tratado como homicídio culposo (sem intenção de matar), que tem pena de dois a quatro anos de prisão. A delegacia instaurou inquérito e terá 30 dias para esclarecer como ocorreu o acidente.
Colaboraram Maria Vitória e Ary Filgueira
Correio Braziliense Documentos em ordem
O acidente náutico também é investigado pela Delegacia Fluvial de Brasília. Diferentemente da Polícia Civil, que analisa o aspecto criminal do caso, os policiais fluviais têm a missão de estudar outros elementos que ajudem a esclarecer a colisão. “Temos que checar as condições e equipamentos de segurança de cada uma das embarcações para determinar o que houve”, explicou o delegado fluvial, comandante Jorge Silva Filho.
Ele avisou que já foi instaurado um inquérito administrativo, que tem 90 dias para ser concluído. O comandante adiantou que os documentos da lancha e do barco estão em dia. “Os dois condutores são habilitados para o exercício da navegação e as embarcações estão devidamente registrada na Capitania dos Portos”, detalhou Silva Filho. Policiais fluviais periciaram os veículos na tarde de ontem.
O comandante pretende tomar depoimentos dos envolvidos e de possíveis testemunhas. Uma das informações que a delegacia checava ontem diz respeito à presença de um veleiro nas proximidades do local do acidente. “Mas ainda precisamos localizar essa embarcação”, disse Silva Filho. Ele também procura saber se estava claro ou não na hora da colisão, visto que o barco de pesca não tinha condições de segurança para navegar no escuro.
O barco abalroado foi deixado próximo ao local do acidente, nas margens do Palácio da Alvorada. O veículo de alumínio apresenta um grande amassado na lateral. Já a lancha encontra-se na Apcef, para onde era levada antes da batida. (PR)
MEMÓRIA - Mortes na água
11 de novembro de 2007
O sargento reformado da PM Ismar Lopes de Oliveira, 47 anos, morreu perto do Clube Recreativo e Esportivo dos Subtenentes e Sargentos da PM (Cresspom), no Setor de Clubes Norte. Ele foi atropelado pela lancha modelo Cobra 16 conduzida por Davi Cândido Simões, 26. O dono da embarcação, Diego Torres Dias, 29, estava em uma prancha e era puxado pela lancha. Ismar e os colegas preparavam-se para mergulhar. A lancha teria passado a cerca de 20m do grupo.
8 de setembro de 2007
O garçom Giliová Nunes da Mata, 23, desapareceu durante um passeio de barco com 12 amigos pelo Lago Paranoá, próximo à Península dos Ministros. Os bombeiros suspeitam que ele se afogou. O grupo estava na lancha modelo Ventura 230, conduzida pelo mecânico Valdemir Xavier Pereira, 28, que não tinha habilitação para conduzir embarcações. O mecânico teria passado a direção para uma das garotas e, por volta das 23h, após uma curva brusca, o garçom caiu na água.
Correio Braziliense Embarcações devem seguir regras
João Campos
Assim como o tráfego terrestre e aéreo, o trânsito aquaviário tem regras para manter a segurança de embarcações e tripulantes. Respeitar os limites de velocidade e fazer uso dos equipamentos de segurança e de sinalização evitam tragédias. A fiscalização das atividades nos 111km do Lago Paranoá é dividida entre a Companhia de Polícia Militar Ambiental (CPMA) e a Marinha. Ambas seguem a Normam 3, conjunto de regras elaboradas pela Diretoria de Portos e Costas para navegantes amadores de esporte ou recreio.
A frota náutica do DF, que inclui as de Goiás, é a terceira maior do Brasil. Só perde para a do Rio de Janeiro e a de Santos (SP). São 40 mil embarcações: 20 mil em Brasília. Em 2007, foram registrados três acidentes no Paranoá. A média é de 60 ocorrências por mês. A maioria está relacionada com o consumo de álcool e falta da documentação obrigatória.
A CPMA cuida do patrulhamento ordinário, como a autuação de condutores embriagados. A fiscalização da Marinha é administrativa. Os militares checam as permissões para dirigir veículos aquáticos e o cumprimento das normas de segurança. “Trabalhamos em conjunto 24 horas. Também combatemos os crimes ambientais”, explica o major Alexandre Alves, comandante da CPMA.
O Lago Paranoá, considerado por especialistas um ótimo ponto para navegação e lazer pela sua extensão e profundidade média de 10m, se enquadra na categoria Navegação Interior 1 da Norman 3: “tais como hidrovias interiores, lagos, lagoas, baías, rios e áreas marítimas onde, normalmente, não há dificuldades ao tráfego das embarcações”. “É uma pista em bom estado de conservação, mas, além de ter a embarcação registrada e ser devidamente habilitado junto à Capitania dos Portos, é preciso ter coletes salva-vidas e bóias de salvamento nas embarcações de médio porte”, detalha o delegado fluvial de Brasília, o comandante Jorge Silva Filho,
No caso da navegação noturna, ele ressalta a obrigatoriedade do uso de luzes nas laterais e na popa (parte traseira) da embarcação. “Há uma série de outros itens, mas esses são os cruciais para um navegação com segurança”, observa Silva Filho. Para ele, a lancha envolvida no acidente de quinta-feira estava em acordo com as exigências legais: iluminação, equipamentos de segurança e documentação em dia. “Ainda não se sabe as causa do choque, mas é provável que tenha sido a falta de iluminação do barco de pesca. Atravessar o lago sem luz durante a noite é como atravessar o Eixão de olhos vendados”, compara o militar.
Kit de segurança
Empresário do setor de embarcações e náutico há mais de 40 anos, Ari Lopes Cunha defende o uso de medidas simples para evitar acidentes como o ocorrido há dois dias. “Um kit com um mastro e uma luz 360º — com visibilidade de 3,5km de alcance — resolveria a situação. A grande maioria dos pesqueiros não apresentam nenhuma iluminação, o que é um risco permanente durante a noite”, explica. Segundo Ari, o mastro com a lâmpada e uma bateria elétrica para geração de energia custam, em média, R$ 200.
Correio Braziliense BRASÍLIA – DF
Perigo no céu
Chama atenção o número de acidentes com aeronaves de pequeno porte ocorridos do início do ano até 24 de abril. Na chamada aviação geral, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáutica registrou 38 ocorrências, número recorde para o período.
Correio Braziliense CONEXÃO DIPLOMÁTIMA
Negócios à parte
Como é comum no Oriente Médio, diferenças e queixumes saem de campo na hora de falar em negócios. É o que mostra a assinatura do acordo comercial entre o Estado judaico e o Mercosul, para o qual o Itamaraty funcionou como pivô. Israel e Brasil têm trocado regularmente visitas em nível ministerial, e ainda no mês passado começaram a sair do papel acordos recém-assinados para cooperação acadêmica, técnica e científica. Um grupo de especialistas brasileiros está a caminho para trocar experiências em assuntos de manejo e reaproveitamento de água, matéria na qual eles esbanjam excelência. (Nós esbanjamos a água propriamente dita...) Também são exploradas oportunidades de negócios no campo militar, em contatos com os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos).
Folha de São Paulo Pentágono lança ofensiva na internet
Sem revelar patrocínio claramente, Defesa dos EUA mantém sites noticiosos no exterior para promover seus interesses
PETER EISLER
O Departamento da Defesa dos EUA está criando uma rede de sites de notícias em línguas estrangeiras e contratando jornalistas locais para escrever sobre os acontecimentos correntes e produzir outras formas de conteúdo que promovam seus interesses e contrabalancem a mensagem de extremistas. Os sites noticiosos foram inspirados em iniciativa semelhante desenvolvida no passado visando os Bálcãs e o norte da África e são parte de uma ação do Pentágono para expandir as "operações de informações" na internet.
A iniciativa não foi revelada publicamente. No caso do iraquiano Mawtani.com, no ar desde outubro, só um link no pé da página revela o patrocínio do Pentágono. À primeira vista, parece um site convencional. Grupos de defesa da liberdade de imprensa dizem que os sites são enganosos e podem facilmente ser confundidos com noticiários independentes.
"O que eles estão tentando é controlar a mensagem, contornando a mídia e apresentando a versão deles diretamente aos usuários; é uma responsabilidade séria informar as pessoas qual é a fonte dessas notícias", diz Amy Mitchell, diretora-assistente do Projeto de Excelência em Jornalismo.
Funcionários do Pentágono dizem que os sites são uma forma legítima e necessária de promover os objetivos políticos dos EUA e rebater as mensagens dos extremistas religiosos e políticos. Eles afirmam ainda que os EUA e seus aliados têm sido superados na batalha por levar informações a audiências do Iraque e outros países.
"É importante conquistar a atenção dessas audiências estrangeiras e informá-las", disse Michael Vickers, secretário-assistente de Defesa para operações especiais e esforços de estabilização.
"Nossos adversários usam a internet em benefício próprio, de modo que temos a responsabilidade de rebater suas mensagens com informações precisas e verossímeis."
América Latina
O Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas está criando um site semelhante ao mawtani.com para as audiências latino-americanas. O Comando do Pacífico, que cobre a região asiática, também está interessado em estabelecer um site noticioso, segundo um porta-voz da Marinha.
Em memorando distribuído em meados de 2007, o secretário-assistente da Defesa Gordon England informou todos os comandantes regionais de que o desenvolvimento de sites como esses era "parte essencial da responsabilidade ao formular um ambiente de segurança em suas respectivas áreas".
O conteúdo dos sites noticiosos é redigido por jornalistas locais contratados para escrever reportagens que se enquadrem aos objetivos do Pentágono. Militares ou empresas terceirizadas revisam as matérias para garantir que sejam compatíveis com esses objetivos. Os repórteres só são pagos por trabalhos postados nos sites.
Os sites noticiosos se seguem ao lançamento no ano passado, pelo Pentágono, de uma "iniciativa transregional", com o objetivo de criar "um mínimo de seis" sites noticiosos dirigidos pelos comandos militares dos EUA, segundo notificação do Comando de Operações Especiais a empresas interessadas em operar esses sites.
"Os jovens nas ruas gostam da internet, e essa é a maneira pela qual eles se comunicam, sabem do que acontece no mundo, se mantêm informados. E eles escolhem com cuidado as fontes de notícias que usam", disse o coronel Jerry O'Hara, do Exército. "Temos de estar envolvidos nisso a fim de garantir comunicação efetiva."
"Isso é deliberadamente enganoso e debilita a imagem do jornalismo como observador objetivo", rebate Marvin Kalb, pesquisador do Centro Joan Sorensen de Imprensa, Política e Questões Públicas na Universidade Harvard. Ele aponta que boa parte da audiência que o Pentágono visa atingir vive em regiões do mundo onde as pessoas esperam que as notícias sejam controladas pelo governo. "Somos a exceção, e, infelizmente, tornamo-nos cada vez mais parecidos com o resto do mundo quando agimos assim".
Tradução de PAULO MIGLIACCI
Folha de São Paulo Clinton diz que Brasil tem responsabilidade e honra de preservar a Amazônia
DANIEL BERGAMASCO
Presidente dos Estados Unidos entre 1993 e 2001, Bill Clinton declarou ontem em palestra em Nova York que a floresta amazônica dá ao Brasil, ao mesmo tempo, a "mais dura" responsabilidade sobre o futuro climático do planeta e o "privilégio" de poder assumir o desafio de preservá-la.
Diante da platéia de empresários, políticos e artistas brasileiros, Clinton disse: "Desejo que estivesse aqui ouvindo, e não falando. Porque não há país no mundo que faça mais esforços para encontrar um caminho para desenvolvimento sustentável para salvar o mundo do aquecimento global do que o Brasil (...) Sinto que vocês têm um grande problema [desmatamento], mas têm também uma sorte grande de ter a Amazônia. É uma honra ter a responsabilidade de preservá-la."
A palestra foi parte do 2º Fórum de Desenvolvimento Sustentável, organizado pela ONG Anubra (Associação das Nações Unidas Brasil), do empresário Mário Garnero, da Brasilinvest.
O ex-presidente americano mencionou o fato do álcool de cana-de-açúcar, cuja produção predomina no Brasil, ser mais eficiente que o de milho, comum nos EUA. Contudo, disse ele, é preciso zelar para que a plantação do produto não gere desmatamento.
Em discurso anterior, no mesmo fórum, Paula Dobriansky, Secretária-Adjunta de Estado para Democracia e Relações Globais, cobrou os países emergentes sobre a redução de emissão de gás carbônico. "Não adianta nada só os Estados Unidos cortarem", afirmou ela.
Jornal do Brasil COLUNA GILBERTO AMARAL
Na Antártica/Dia da Vitória
Gilberto Amaral
Na Antártica
Na próxima semana as duas Casas do Parlamento estarão envolvidas em atividades dedicadas ao continente Antártico. O objetivo é trazer mais informações sobre as pesquisas realizadas pelo Brasil na Antártica, que vêm auxiliando no entendimento dos diversos fenômenos climatológicos e vinculados à fauna e flora do Brasil. A programação inclui exposição, seminários, exibição de filme e uma Sessão Solene.
Dia da Vitória
O Dia da Vitória, para os mais jovens, vitória dos aliados contra o nazismo na 2ª Grande Guerra Mundial, dia 8, será revivido no Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro. Com a presença do ministro da Defesa Nelson Jobim, do vice-presidente José Alencar e dos comandantes militares, várias personalidades serão condecoradas com a Comenda da Vitória. Os brasileiros fizeram bonito e demonstraram bravura nos combates, principalmente em Monte Castelo.
O Dia Exército de prontidão
De plantão nas matas do Leme para impedir ataques ao Forte Duque de Caxias, militares fazem alerta à polícia para não ser confundidos com traficantes no caso de tiroteio durante a noite
Paula Sarapu
Rio - Para evitar que traficantes refugiados na mata dos morros Chapéu Mangueira e da Babilônia, no Leme, se aproximem do Forte Duque de Caxias, sentinelas do Exército estão em posições estratégicas desde o início da semana. Policiais do 19º BPM (Copacabana) e do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) chegaram a ser alertados, por telefone, para ter cuidado nas operações e não “confundir” os militares do Corpo de Guarda com bandidos que têm feito da mata campo de batalha desde o dia 21.
O subcomandante do Centro de Estudos de Pessoal do Exército, que funciona dentro do forte, coronel Nilson Rodrigues, disse que “a área militar é sempre reforçada quando há conflitos de gangues”, mas que não há riscos à segurança da base. A área militar na Rua Coelho Cintra, onde ficam as casas de militares sobre o túnel que liga Botafogo a Copacabana, também está em alerta. A polícia afirma que os bandidos invasores chegam e fogem das comunidades por lá.
Há dois dias, os moradores do Leme não escutam tiroteios. O Serviço Reservado do 19º BPM tem informações de que o bando invasor, ligado a José Ricardo Ribeiro Rosa, o Cagado, teria deixado o Morro da Babilônia, tomado dos rivais há cerca de 15 dias. PMs do Gpae continuam ocupando as duas favelas e o bairro está com policiamento reforçado.
Os intensos confrontos têm alterado a rotina dos moradores. Um casal que mora no fim da Rua General Ribeiro da Costa contou que, para chegar em casa, prefere seguir pela Rua Gustavo Sampaio e entrar pela contramão da Rua Anchieta. Tudo isso para não passar em frente à Ladeira Ary Barroso, um dos acessos às favelas.
Já a professora Luciana Almagro, 32 anos, evita cortar caminho na volta para casa, quando sai do Shopping Rio Sul. “Por causa da mata, por onde eles entram e saem da favela, a gente decidiu trocar o caminho. Pegamos mais engarrafamento, mas não subimos pela Coelho Cintra”, disse ela, ao lado da sobrinha Júlia, 8, que está fora de casa desde a invasão. “Ela mora na Ladeira e não quer voltar. Está muito impressionada.”
A estratégia dos taxistas é não passar pela Rua Coelho Cintra — antigo ponto de descanso — em alguns horários. “Qualquer movimento na mata, mesmo durante o dia, já chama nossa atenção. Tenho medo que ‘bonde’ pegue nossos táxis para fugir”, contou F., taxista há 15 anos.
O Estado de São Paulo Pequim constrói base naval nuclear, diz revista
AFP
A China está construindo secretamente uma grande base naval nuclear na ilha de Hanan, no sul do país, revelou ontem a revista britânica de defesa ‘Jane’s’. Em sua última edição, a revista afirma ter conseguido confirmar a existência da base com a análise de fotografias de satélite tiradas pelo DigitalGlobe.
“Pequim parece construir uma importante base naval subterrânea que poderia significar o fortalecimento de suas capacidades estratégicas”, afirma a publicação. Para a revista, o governo chinês quer reforçar o controle sobre a região e defender o acesso a vias marítimas vitais.
O Globo Buscas a piloto de helicóptero recomeçam hoje
Co-piloto é sepultado no Rio. Mau tempo atrapalha o resgate
Dicler Filho
Bombeiros do 26º Grupamento, de Paraty, e mergulhadores do Grupamento de Buscas e Salvamento, do Rio, com auxílio de uma equipe da Capitania dos Portos, realizaram ontem, pelo terceiro dia consecutivo, buscas na tentativa para localizar o piloto Manoel Afonso de Souza Pereira, de 59 anos. A equipe de resgate encontrou pequenos pedaços da fuselagem da aeronave. As buscas terminaram no início da noite, mas serão retomadas na manhã de hoje.
O piloto desapareceu após o helicóptero prefixo PR-IPO, da empresa Cosan, cair no mar na quarta-feira, na Praia de Laranjeiras, próximo a Trindade, a 500 metros da costa de Paraty. O acidente aconteceu quando o helicóptero retornava para São Paulo.
A assessoria de imprensa da Cosan não informou o número exato de passageiros que saíram de São Paulo, na quarta-feira, e foram deixados pela aeronave em um condomínio de luxo na Praia das Laranjeiras. Eles embarcaram na capital paulista.
O corpo do co-piloto Carlos Eduardo Jesus Azevedo, de 58 anos, foi sepultado ontem no Cemitério do Caju, no Rio. Ele foi resgatado na noite de quarta-feira, logo após o acidente.
Segundo a Cosan, os dois pilotos eram cariocas e moravam em São Paulo.
Os destroços da aeronave não foram encontrados pela equipe de resgate. A estimativa é de que o helicóptero poderá ajudar na identificação das causas do acidente, que aconteceu a 500 metros da costa.
As buscas foram reforçadas com um aparelho conhecido como Cyberscan, que possibilita uma varredura no mar, onde a equipe trabalha, ou seja, na Praia de Laranjeiras. Seis barcos são utilizados nas buscas. Os trabalhos de resgate foram prejudicados pelo mau tempo.
O Globo Disputa atrasa criação de novas linhas de barcas
Pouco mais de um ano depois do anúncio da abertura de novas licitações de transporte aquaviário para a linha de aerobarcos Niterói-Praça Quinze e para a linha de barcas São Gonçalo-Rio, muito pouco foi feito. Em abril do ano passado, o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, anunciou a concorrência depois de uma série de acidentes envolvendo as embarcações das duas empresas responsáveis pelo transporte hidroviário: Barcas S/A e Transtur. O motivo de tanto atraso, de acordo com a Secretaria estadual de Transportes, seria uma disputa judicial com as duas empresas, que não querem perder o direito de explorar as linhas.
O Globo OBITUÁRIO
Deputado Ricardo Izar, aos 71 anos
Presidente do Conselho de Ética da Câmara, o deputado Ricardo Izar (PTB-SP), de 71 anos, se destacou durante a crise do mensalão, em 2005. Ele foi reeleito presidente do Conselho de Ética em março passado, quando derrotou o petista José Eduardo Cardozo (SP). A eleição de Izar foi considerada uma derrota para o PT, que trabalhava para ter à frente do colegiado um nome mais afinado com o partido e com o governo.
Izar começou carreira política em 1964, como vereador em São Paulo, pela Aliança Renovadora Nacional (Arena). Depois, foi eleito deputado estadual para três mandatos e, em 1988, assumiu a Câmara em Brasília, filiado ao antigo PFL, hoje DEM. Nos sucessivos mandatos, passou pelo PPB do ex-governador Paulo Maluf antes de ingressar no PTB.
Durante a Constituinte, teve 147 propostas aprovadas, o maior número individual de emendas incorporadas ao texto constitucional. Formado em direito, era pós-graduado em direito penal pela PUC-SP, onde foi presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto.
Ricardo Izar morreu às 16h de ontem, em São Paulo. Ele estava internado desde o fim de março na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Coração, onde foi submetido, no dia 2 de abril, a uma cirurgia para correção de aneurisma na aorta. De acordo com boletim médico, Izar morreu por falência de múltiplos órgãos, em decorrência de complicações no processo de pós-operatório de cirurgia de dissecção de aorta.
Parlamentares que integram o Conselho de Ética da Câmara lamentaram a morte de Izar. O deputado José Carlos Araújo (PR-BA) contou que visitou o colega no início da tarde de anteontem, e que o petebista começava a voltar à consciência após longo período sedado:
- Era um grande amigo, bom presidente, homem sério, competente. Eu lastimo muito a falta de Ricardo Izar.
O deputado Efraim Filho (DEM-PB), o mais jovem do Conselho de Ética, com 29 anos, disse que Izar, que estava no sexto mandato, era uma referência para os parlamentares iniciantes:
- O trabalho no conselho era um referencial, para mim, pela forma com que ele conduzia. É uma perda para o Congresso, que já tem uma carência muito grande. Ele buscou a verdade, independentemente de estar agradando a determinado parlamentar.
O velório do deputado começou ontem à noite, na Assembléia Legislativa de São Paulo, e o sepultamento está previsto para a tarde de hoje, no Cemitério do Araçá, no Centro da cidade. Casado com Marisa Izar, o deputado deixa dois filhos e uma neta.
O Globo País enviará energia para Argentina
Fornecimento, porém, não garante retomada de vendas de trigo ao Brasil
BRASÍLIA. O Brasil vai enviar para a Argentina 800 megawatts (MW) de energia entre maio e setembro, mas poderá estender até 1.500MW, caso necessário. Parte da energia cedida pelo Brasil deverá ser paga em dinheiro. O volume que não for usado terá de ser devolvido entre setembro e dezembro.
O acordo foi anunciado ontem pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, após encontro com o ministro argentino de Planejamento Federal, Orçamentos Públicos e Serviços, Julio Miguel De Vido. As bases da troca haviam sido acertadas inicialmente durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de 2008, a Buenos Aires.
- As quantidades que forem utilizadas e não pagas pelos argentinos serão devolvidas em forma de energia durante a primavera - afirmou Lobão.
A energia fornecida pelo Brasil deverá ser, prioritariamente, de hidrelétricas. Em segundo lugar, poderá ser enviada energia gerada por usinas a gás. As térmicas a óleo só enviarão energia em último caso.
Em meio às discussões com o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, sobre o valor da energia de Itaipu paga pelo Brasil, Lobão foi veemente em ressaltar que a energia gerada pela hidrelétrica binacional não será repassada.
Presente ao encontro, Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais da Presidência da República, foi categórico ao negar qualquer relação entre o empréstimo de energia brasileira com a retomada das exportações de trigo argentino:
- Não é uma moeda de troca. São assuntos diferentes. (Gustavo Paul)
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